Sabe aquela história que a mulher sente de estar cansada demais, de se sentir fora do controle e desanimada? Não é só história, é fato e deve, muito que provavelmente, estar ligado à saúde hormonal. Vivenciei isso dias atrás e posso dizer que não é nada confortável. Aliás, de acordo com a ginecologista Dra. Maria Christina, quando a gente não tem explicação para o que está sentindo e só lista observações é o corpo sinalizando que algo está fora do lugar.
“A baixa hormonal provoca mudanças importantes no organismo, como alteração no perfil lipídico — aumentando o risco cardiovascular —, perda de massa muscular (sarcopenia) e redução da densidade óssea, podendo evoluir para osteopenia e osteoporose, o que eleva o risco de fraturas, dentre outros problemas”, aponta a especialista.
A deficiência hormonal feminina pode comprometer de forma significativa a saúde e a qualidade de vida já que provoca alterações metabólicas, sintomas físicos intensos e impactos emocionais marcantes. Aliás, é preciso ressaltar que essa condição que atinge mulheres em diferentes fases da vida.
Da memória falha aos problemas na cama e fora dela
Segundo a médica, independentemente da idade, quando há descompasso hormonal são frequentes queixas como lapsos de memória, conhecidos como “névoa mental”, queda de energia, baixa libido, insônia, ondas de calor, irritabilidade, queda de cabelo e ressecamento da pele.
“A síndrome urogenital também merece atenção, já que o ressecamento vaginal e vulvar pode favorecer infecções urinárias e vaginais recorrentes. Em muitos casos, o conjunto desses sintomas afeta profundamente o bem-estar emocional, podendo desencadear quadros depressivos”, recomenda.
A terapia de reposição hormonal surge como alternativa para restaurar o equilíbrio fisiológico do organismo. O tratamento consiste na administração de hormônios com o objetivo de corrigir deficiências ou desequilíbrios, sempre mediante avaliação médica criteriosa.
“A indicação ocorre quando a mulher apresenta sinais e sintomas de desequilíbrio hormonal, desde que não haja contraindicações clínicas. A terapia não se restringe ao período peri e pós-menopausa: também pode ser considerada em condições associadas à predominância estrogênica, como síndrome dos ovários policísticos, endometriose, miomatose e lipedema”, explica Christina.
Como fazer a reposição e quais resultados esperados

Atualmente, existem diferentes formas de administração, incluindo medicamentos orais — hoje menos utilizados —, formulações em gel, injetáveis e implantes hormonais, sendo que a escolha do método é individualizada e depende do perfil clínico de cada paciente.
Entre os benefícios esperados estão melhora dos sintomas físicos em curto prazo, qualidade do sono mais satisfatória, aumento da disposição e da energia, melhora da libido e da vida sexual, maior capacidade funcional nas atividades diárias e impacto positivo na autoestima.
O acompanhamento médico é considerado etapa essencial para garantir segurança. Após o início do tratamento, é realizada uma reavaliação em cerca de 30 dias para ajustes de dose e análise da resposta clínica. Em seguida, as consultas passam a ser trimestrais, com exames laboratoriais semestrais para monitoramento metabólico e exames de imagem anuais.
A especialista reforça que a terapia hormonal, quando bem indicada e acompanhada, não causa câncer. Também esclarece que expressões como “antiaging”, “emagrecimento garantido” ou “fonte da juventude” não refletem a realidade científica.
“O equilíbrio hormonal contribui para maior longevidade e qualidade de vida e pode facilitar a perda de peso quando associado a hábitos saudáveis, mas não se trata de solução milagrosa. Outro ponto fundamental é o chamado timing, ou janela de oportunidade. Quanto mais cedo a terapia for iniciada, dentro dos critérios médicos adequados, menores são os riscos de desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e osteoporose”, finaliza a médica.








