A catástrofe ambiental que estamos presenciando no Rio Grande do Sul estimula debates importantes. Alguns são urgentes como o da preservação do meio ambiente e áreas de proteção ambiental, já outros, completamente desnecessários, como por exemplo se a ajuda de influenciadores é bem-vinda ou não nas cidades.
Com excessão daquelas que possuem formação técnica, como por exemplo a ex-BBB Thelminha, que é médica e além de ajudar de forma prática, pode também se comunicar com a comunidade médica de todo o país pela TV e suas redes sociais, orientando sobre a realidade nos hospitais nas cidades atingidas, a presença de personalidades e influenciadores tem causado mais ódio nas redes sociais do que ajudado a entender o que de fato está acontecendo. Afinal, o que é mais importante? Saber se a ajuda do ex- BBB Davi é legítima, ou saber como o Brasil pode se preparar daqui em diante em relação a tragédias potencializadas por problemas ambientais?
Neste contexto, é importante relembrar um episódio da terceira temporada da série “The Crown”, da Netflix, chamado “Aberfan”. Nele, uma mina de carvão acaba cedendo e matando dezenas de crianças em uma escola pública. O episódio é baseado em fatos reais que ocorreram no País de Gales, em 1966.
E o que fez a Rainha Elizabeth II diante da morte de 116 crianças inocentes? Ela disponibilizou a ajuda necessária e esperou. A soberana do território demorou oito dias para visitar a cidade que estava abalada e em luto profundo. E qual o motivo da espera ? Ela acreditava que sua presença no local iria atrapalhar o trabalho do resgate, já que a presença da Rainha sempre atraia curiosos e chamava mais atenção do que qualquer outra coisa, criando tumulto desnecessário, exatamente como estamos vendo atualmente.
Diferenças culturais à parte, é claro que a ajuda de influenciadores é bem-vinda, eles têm o poder de angariar fundos e arrecadar valores extratosféricos. No entanto, não seria de bom tom questionar a ida a um local que não tem água e nem comida para as pessoas que moram lá?
Falta orientação, assessoria e bom senso para essa gente!