A divulgação dos resultados do Enamed, exame que avalia a formação dos estudantes de Medicina no país, acendeu um alerta vermelho no setor educacional e na saúde. Com um índice elevado de reprovação, diversas faculdades de Medicina ficaram abaixo do desempenho esperado, levantando questionamentos sobre a qualidade do ensino, a expansão acelerada de cursos e a real preparação dos futuros médicos para o exercício profissional.
O cenário preocupa não apenas instituições de ensino e órgãos reguladores, mas também o próprio mercado de trabalho médico, que passa a receber profissionais com formações muito desiguais. Para especialistas em comunicação e posicionamento profissional na área da saúde, o impacto reflete diretamente na atuação clínica, na segurança do paciente e na capacidade do médico de construir autoridade e confiança diante da sociedade.
Priscilla Bernardes defende que a boa comunicação é capaz de desmascarar o mau profissional, pois expõe falhas de formação ao mesmo tempo em que cria vínculos com o paciente e incentiva interações que incluem perguntas e até questionamentos sobre postagens
Para ela, a deficiência não aparece apenas na prática clínica, mas também na forma como o médico se comunica, se posiciona e constrói sua imagem profissional. “Muitos não conseguem explicar conceitos básicos, defender condutas ou transmitir confiança, o que é extremamente preocupante em uma profissão que lida diretamente com vidas. A pouca fluência para argumentar temas essenciais nos revela uma formação precária não somente na faculdade mas talvez muito antes dela”, pontua.
Priscilla Bernardes ressalta que a autoridade médica começa no conhecimento, e não pode ser compensada apenas com marketing ou presença digital. “Nenhuma estratégia de comunicação sustenta um profissional que não tem conteúdo. O público percebe, os colegas percebem e o mercado também”, diz.
Na avaliação da CEO da DocVerso, o Caso Enamed deve servir como um marco para repensar critérios de abertura de cursos, fiscalização e, principalmente, responsabilidade na formação médica. “Estamos falando de uma profissão essencial. O exame escancarou uma realidade que muitos já viviam no dia a dia, mas agora está documentada em números”, conclui.








