Trabalhar muito nem sempre traz a sensação de dever cumprido. Muitas profissionais chegam ao fim do dia exaustas, mas, ainda assim, sentem que não receberam o reconhecimento que esperavam no trabalho. Isso acontece porque, na prática, esforço e recompensa nem sempre caminham juntos. Embora a cultura profissional valorize frases como “quem se dedica vence”, pesquisas recentes mostram que o resultado final pesa mais do que o caminho percorrido.
Essa percepção influencia diretamente como cada pessoa avalia o próprio valor profissional. Ou seja, mesmo quando alguém se empenha ao máximo, a ausência de resultados claros pode gerar frustração e insegurança.
Esforço no trabalho não garante sensação de merecimento
Um estudo conduzido pela Yale School of Management investigou exatamente esse dilema. O professor Corey Cusimano e sua equipe quiseram entender o que faz alguém se sentir merecedora de uma recompensa. Para isso, propuseram tarefas simples e complexas a participantes anônimos e, depois, ofereceram bônus financeiros opcionais.
Surpreendentemente, o esforço não aumentou a disposição das pessoas em aceitar a recompensa. Mesmo quando trabalhavam mais, participantes que acreditavam ter ido mal preferiam receber menos. Em contrapartida, quem se sentia bem-sucedido aceitava valores maiores com mais facilidade — ainda que a tarefa tivesse sido simples.
Mérito profissional está ligado à percepção de sucesso
Os pesquisadores perceberam que o mérito profissional se constrói muito mais a partir da sensação de “dei conta” do que da quantidade de energia gasta. Em testes sucessivos, participantes que enfrentaram tarefas difíceis, mas acharam que falharam, reduziram voluntariamente o valor do bônus recebido.
Enquanto isso, tarefas consideradas fáceis, quando bem executadas, reforçaram a sensação de merecimento. Assim, o desempenho percebido se mostrou decisivo, inclusive quando o grau de dificuldade não dependia da escolha da pessoa, mas do acaso.

Valorização profissional e a cultura do resultado
Esse padrão ajuda a explicar por que tantas mulheres sentem que precisam “provar mais” no ambiente corporativo. A valorização profissional ainda está fortemente associada a entregas visíveis, métricas e resultados claros. Por isso, dedicação silenciosa e esforço emocional tendem a passar despercebidos.
Além disso, o estudo mostrou que homens e mulheres reagiram de forma semelhante, assim como participantes dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. Isso indica que a lógica do resultado supera diferenças culturais quando o assunto é recompensa.
Repensando o sucesso profissional no dia a dia
Esses dados convidam a uma reflexão importante: será que estamos avaliando nosso sucesso profissional da maneira certa? Muitas vezes, o cansaço vira sinônimo de mérito, quando, na prática, o mercado responde melhor a entregas objetivas.
Segundo Cusimano, talvez seja hora de questionar o discurso tradicional sobre esforço. Afinal, sentir-se bem-sucedida influencia diretamente a forma como cada pessoa se recompensa — e como espera ser reconhecida.
O ponto central que muda tudo
No fim das contas, o estudo revela algo essencial: não é o quanto você se esforça, mas o quanto você percebe que acertou que define a sensação de merecimento. Esse dado ajuda a entender por que o reconhecimento no trabalho costuma acompanhar resultados visíveis — e não necessariamente o esforço envolvido.
Resumo: O esforço continua importante, mas não garante recompensa. A pesquisa mostra que a percepção de sucesso pesa mais no reconhecimento. Resultados claros fortalecem o sentimento de mérito. Repensar essa lógica pode ajudar a alinhar expectativas e autoestima profissional.
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