O Brasil vive uma mudança profunda no modo de envelhecer. Longe da imagem de passividade, a população acima dos 60 anos mostra disposição para aprender, trabalhar, conviver e se reinventar. Esse movimento acompanha o crescimento acelerado desse grupo etário e reforça a importância do envelhecimento ativo como estratégia para qualidade de vida, autonomia e bem-estar emocional.
Dados do IBGE revelam que, entre 2012 e 2024, o número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 22 milhões para 34,1 milhões — um salto de 53,3% que altera relações familiares, sociais e profissionais no país. Ao mesmo tempo, essa longevidade ampliada exige novas formas de participação e cuidado, sobretudo quando se fala em saúde mental e integração social.
Envelhecimento ativo e a nova terceira idade
O conceito de envelhecimento ativo vai além de manter o corpo em movimento. Ele envolve participação social, autonomia, estímulos cognitivos e sentimento de pertencimento. Por isso, a chamada terceira idade ativa ganha espaço em diferentes áreas da vida cotidiana, desde grupos de exercícios até projetos comunitários e atividades culturais.
Segundo a psicóloga Amanda Alves Ramos Piacente, da Afya Contagem, manter-se socialmente engajado reduz o isolamento e fortalece a identidade pessoal. Além disso, a convivência regular favorece a troca de experiências e aumenta a sensação de utilidade, o que impacta positivamente o equilíbrio emocional. Dessa forma, o contato com diferentes grupos também estimula habilidades cognitivas importantes para o envelhecimento saudável.

Idosos no mercado de trabalho e protagonismo social
Outro reflexo desse cenário aparece entre os idosos no mercado de trabalho. Atualmente, cerca de uma em cada quatro pessoas acima dos 60 anos continua economicamente ativa. A participação masculina ainda é maior, porém o avanço feminino tem crescido consistentemente.
Na faixa entre 60 e 69 anos, quase metade dos homens e pouco mais de um quarto das mulheres seguem em atividades remuneradas. Inclusive, após os 70 anos, muitos mantêm rotinas profissionais, reforçando que a aposentadoria deixou de ser um ponto final.
Saúde mental na terceira idade e longevidade saudável
Sob o olhar da saúde mental na terceira idade, a permanência em atividades sociais e profissionais protege o funcionamento cognitivo. Amanda explica que esse envolvimento contínuo fortalece a chamada reserva cognitiva, ajudando o cérebro a lidar melhor com as mudanças naturais do envelhecimento.
Além disso, rotinas ativas ampliam o suporte emocional e reduzem sentimentos de solidão. Portanto, investir em relações, novos aprendizados e participação social contribui diretamente para a longevidade saudável. Esse conjunto de fatores transforma o envelhecimento em uma fase de possibilidades, e não de limitações.
Resumo: O crescimento da população 60+ reforça a importância do envelhecimento ativo no Brasil. Trabalho, convivência social e estímulos mentais favorecem o bem-estar emocional. Manter-se ativo fortalece a autonomia e contribui para uma longevidade mais saudável.
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