Escolher o que vestir para trabalhar vai muito além de gosto pessoal. No ambiente profissional, a forma como a roupa se apresenta ainda influencia percepções, avaliações e até decisões de carreira, especialmente para as mulheres.
Uma pesquisa realizada no Reino Unido com cerca de 3 mil gestores aponta que metade dos entrevistados admite já ter deixado de promover ou conceder aumento salarial a uma funcionária por considerar suas roupas inadequadas para o ambiente corporativo. O dado mais alarmante é que um em cada cinco gestores afirmou que o vestuário já foi motivo direto para demissão.
Código mais flexível, margem maior para erro
Nos últimos anos, muitas empresas passaram a adotar dress codes menos rígidos, alinhados à cultura organizacional, ao tipo de função e até à região. O problema é que essa flexibilização também aumentou as interpretações equivocadas.
Datas como o casual friday costumam gerar confusão. A ideia de um visual mais informal, em muitos casos, é confundida com roupa de lazer, o que acaba destoando do ambiente profissional.
No contexto corporativo, a roupa continua sendo uma forma de comunicação. Quando chama atenção demais para o corpo, pode desviar o foco do conteúdo, das entregas e da performance.
Por que o decote ainda gera impacto no trabalho?
O ambiente corporativo, mesmo mais aberto, ainda opera com códigos de leitura visual. Um decote profundo pode ser interpretado como informalidade excessiva ou falta de alinhamento com o espaço profissional, independentemente da competência da pessoa que o veste.
Isso não significa que o corpo feminino deva ser escondido, mas que o local de trabalho exige escolhas estratégicas. O objetivo do look profissional é apoiar a imagem de credibilidade, não competir com ela.

Como evitar ruídos na imagem profissional
Alguns cuidados simples ajudam a equilibrar estilo pessoal e adequação ao ambiente de trabalho:
Observe o limite do decote
Uma forma prática de avaliar a profundidade é imaginar uma linha reta entre as axilas. Em camisas, isso costuma corresponder à altura entre o segundo e o terceiro botão. Ultrapassar esse ponto pode expor mais do que o desejado em contextos profissionais.
Direcione o olhar para outros pontos
Acessórios discretos, como colares médios com pingentes pequenos, ajudam a distribuir o foco do visual sem centralizá-lo no colo.
Crie camadas
Regatas de decote reto ou tops básicos por baixo da camisa ajudam a evitar aberturas indesejadas, especialmente em camisas que repuxam na região do busto.
Observe o ambiente ao redor
Analisar como líderes e pessoas em cargos semelhantes se vestem oferece pistas claras sobre o dress code real da empresa — aquele que funciona na prática, não apenas no discurso.
Roupa não substitui competência, mas interfere na leitura!
A pesquisa reforça um cenário que ainda é desigual: mulheres seguem sendo mais observadas e julgadas pela aparência no ambiente profissional. É preciso entender o vestuário como ferramenta estratégica, não como limitação, protegendo assim a própria imagem profissional em ambientes onde ainda existem vieses. No trabalho, menos ruído visual ajuda a deixar espaço para o que realmente importa: conteúdo, postura e entrega.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








