Quando três pequenas lesões surgiram no peito, o agente da Polícia Federal Rafael Duarte – nome fictício -, de 47 anos, acreditou estar diante de algo simples. Natural de Niterói, ele imaginou que as marcas fossem apenas espinhas ou uma reação alérgica. No entanto, poucos dias depois, descobriria que estava enfrentando a Mpox, infecção viral que ganhou atenção mundial a partir de 2022.
Inicialmente, os sinais pareciam inofensivos. Porém, após receber uma mensagem de uma pessoa com quem teve contato, Rafael passou a suspeitar da doença. O aviso dizia que havia grande chance de ele ter contraído Mpox. Assim, ele decidiu procurar atendimento médico em São Paulo.
O diagnóstico não veio de imediato. Na época, em agosto de 2022, muitos profissionais ainda estavam se familiarizando com os protocolos da doença. Mesmo assim, Rafael insistiu para realizar o exame — que confirmou a infecção. Logo depois, começou um período de dor intensa, medo e quase três meses de isolamento.
Mpox: sintomas podem começar discretos
A Mpox, causada pelo vírus Monkeypox, costuma se manifestar com lesões na pele que evoluem para bolhas e feridas. Além disso, a pessoa pode apresentar febre, dores no corpo e gânglios inchados. Os sintomas da Mpox, segundo especialistas, podem durar de duas a quatro semanas.
No caso de Rafael, a evolução foi rápida. Poucos dias após o diagnóstico, ele desenvolveu uma neuropatia — condição que provoca dor nos nervos. “Era como se eu estivesse sendo agulhado e queimado ao mesmo tempo”, relatou em entrevista ao Terra.
A intensidade da dor foi tão grande que ele precisou de medicação forte para dormir. “Chegou um ponto em que era impossível ficar parado”, contou. Além disso, as três lesões iniciais acabaram rompendo a pele e levaram cerca de 60 dias para cicatrizar completamente.
Transmissão da Mpox exige atenção aos sinais
A transmissão da Mpox ocorre principalmente pelo contato direto com lesões de pele, fluidos corporais, mucosas ou objetos contaminados. Por isso, o isolamento é uma das medidas recomendadas durante o período ativo da doença.
Durante a recuperação, Rafael permaneceu praticamente todo o tempo em casa. Ele descia apenas para buscar comida. “Impactou totalmente minha rotina”, afirmou. Ainda assim, ele considerou uma sorte morar sozinho, pois reduziu o risco de espalhar o vírus.
Além da dor física, o medo de complicações também pesou. Rafael acompanhou notícias de pessoas que tiveram infecções nos olhos ou na boca. “Isso me dava muito medo”, explicou.

Hoje recuperado, ele faz um alerta: os sintomas da Mpox podem surgir de forma quase imperceptível. “Às vezes parece apenas um pequeno ponto inflamado. Por isso, muita gente não percebe que pode ser o início da doença”, disse.
Cuidados e acompanhamento são fundamentais
Embora não exista tratamento específico para eliminar o vírus, médicos indicam medicamentos para aliviar sintomas e prevenir complicações. Além disso, o acompanhamento médico ajuda a identificar possíveis agravamentos.
Após se recuperar das lesões, Rafael ainda enfrentou outro desafio. Com a imunidade fragilizada, desenvolveu uma infecção no dedo que exigiu cirurgia e mais três semanas afastado.
Mesmo depois da experiência difícil, ele reforça a importância de buscar atendimento ao notar qualquer alteração suspeita na pele. Afinal, identificar os sinais cedo pode ajudar no controle da transmissão da Mpox e na recuperação do paciente.
Resumo: O relato de Rafael mostra que a Mpox pode começar com sinais discretos, mas evoluir com dor intensa e longo período de recuperação. Além disso, os sintomas da Mpox incluem lesões na pele, febre e dores no corpo. A transmissão da Mpox ocorre principalmente pelo contato direto com feridas ou fluidos contaminados.
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