A cannabis medicinal vem alcançando avanços positivos na possibilidade de tratamento de enfermidades e doenças raras em humanos. O uso do composto para pets, no entanto, ainda não está pavimentado no Brasil devido à necessidade de ajustes regulatórios. Entenda como a base da maconha pode ajudar no uso veterinário!
A procura para o uso da cannabis medicinal no tratamento de humanos e pets vem crescendo, de forma que o assunto será debatido no congresso “WNTC – We Need to Talk About Cannabis”. Uma de suas palestrantes, a cientista Greyce Balthazar Lousana, bióloga, médica veterinária, fundadora e presidente da Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica – SBPPC, falou um pouco sobre o assunto.
Ela afirma que a exposição sobre o tema pode garantir avanços significativos para acelerar o processo de regulamentação do uso da cannabis medicinal para animais no Brasil. “No mundo já há um movimento na prescrição de óleo de canabidiol no tratamento de doenças em cães e até equinos. A tendência é que exista investimento em pesquisa e desenvolvimento, principal base para a criação de medicações altamente eficazes”, explica.
Os veterinários têm debatido sobre o uso de canabidiol (CBD), bem como baixas doses de THC para acalmar convulsões, diminuir a dor da artrite, aliviar a ansiedade e estimular o apetite em animais com câncer. Se isso soa como as aplicações humanas usuais para a cannabis medicinal, é porque são. Todos os vertebrados possuem um sistema endócrino que responde aos ingredientes ativos da cannabis. Os animais têm tolerâncias e contraindicações diferentes dos humanos, mas a ciência sobre a eficácia é sólida.
DADOS NO BRASIL
Hoje são cerca de 149,6 milhões de animais de estimação em todo o País, segundo o censo do IPB (Instituto Pet Brasil) de 2021. O Brasil é o terceiro no ranking mundial. “Os canabinóides podem ser mais eficazes e menos tóxicos do que muitos anti-inflamatórios não esteroides, o que já nos faz pensar em confortar animais em sofrimento”, afirma Greyce.
O CBD é encontrado nas plantas de Cannabis e, diferente do THC – outra molécula canabinóide da planta – não possui princípio psicoativo. Em humanos, o CBD é usado para tratar ansiedade, dor e problemas de sono. Greyce afirma que há evidências cada vez mais robustas de que o composto pode ajudar cães com dor de osteoartrite, distúrbios convulsivos e problemas de pele como dermatite atópica.
No entanto, o uso da substância em cães é limitado pelo pequeno número de animais ou metodologias usadas, de forma que os resultados devem ser interpretados com cuidado e mais pesquisas são necessárias. Para Greyce, a grande vantagem do uso do CBD é que a substância tem a comercialização autorizada no país, o que pode facilitar a introdução da cannabis na medicina veterinária – pelo menos como uma alternativa interessante ou complementar à medicina convencional.