Neste fim de semana, Preta Gil revelou que seu câncer não tem cura no Brasil e vai buscar tratamento nos EUA. “Me recuso a aceitar que se findou para mim agora”, disse a cantora, que luta contra um câncer no intestino com metástases e agora busca alternativas fora do país.
A cantora emocionou o público ao falar, durante o programa Domingão com Huck, sobre o avanço do seu câncer e a nova etapa do tratamento. Segundo ela, os recursos disponíveis no Brasil já foram esgotados e, por isso, decidiu buscar tratamento fora do país.
“Agora as minhas chances de cura estão fora do Brasil, é pra lá que eu vou. Pra voltar pra cá curada”, declarou, com voz firme, diante do auditório.
Diagnosticada com câncer no intestino em janeiro de 2023, Preta chegou a anunciar sua cura após cirurgia. No entanto, a doença retornou com metástases em quatro locais: dois linfonodos, o peritônio e o ureter. Em dezembro, ela passou por uma cirurgia de 20 horas, permaneceu três dias em coma induzido e passou a usar uma bolsa de colostomia definitiva.
Apesar de tudo, Preta mantém sua esperança inabalável. “Tenho muito amor à vida, à minha família, aos meus projetos. Me recuso a aceitar que acabou para mim. Ainda tenho uma caminhada.
O que os Estados Unidos têm de diferente no tratamento contra o câncer?
A escolha de Preta Gil por continuar o tratamento nos Estados Unidos está ligada ao acesso a novas terapias oncológicas que ainda não estão disponíveis no Brasil.
Nos EUA, novas drogas contra o câncer costumam ser aprovadas com mais rapidez, graças à atuação da FDA, a agência reguladora americana, que não considera o preço ao liberar medicamentos inovadores. Isso permite que pacientes testem alternativas promissoras mesmo antes de elas entrarem no sistema de saúde público ou privado.
Além disso, os Estados Unidos lideram pesquisas com terapias celulares avançadas, como a CAR-T, que modifica células do sistema imunológico para que elas reconheçam e ataquem tumores.
O que é a terapia CAR-T?
Trata-se de uma técnica revolucionária que reprograma os leucócitos (glóbulos brancos) do próprio paciente para que reconheçam e destruam as células cancerígenas.
Essa terapia ficou conhecida como a “droga viva” e já colocou 83% dos pacientes com certos tipos de leucemia em remissão, segundo dados do FDA. A terapia é feita sob medida para cada paciente e custa cerca de US$ 475 mil.
Apesar dos bons resultados com cânceres do sangue, como a leucemia, a tecnologia ainda enfrenta desafios com tumores sólidos, como pulmão ou intestino – justamente o tipo de câncer que acomete Preta Gil. Ainda assim, a expectativa é de que novos avanços ampliem as possibilidades de cura.
Acesso desigual ao tratamento contra o câncer
No Brasil, o acesso a medicamentos inovadores pode ser dificultado por barreiras burocráticas, lentidão na aprovação da Anvisa e restrições financeiras do SUS e de planos de saúde.
“É isso, acreditar na ciência, nessas novas oportunidades (de tratamento) fora do Brasil. Sei que sou uma mulher privilegiada, tenho essa condição de ir pra fora”, afirmou. “Eu vou, porque tenho muito amor à vida, muito amor a isso aqui. Sei que a gente tem de aprender a lidar com a finitude.” Neste momento, foi interrompida com o coro de “Deus abençoe” do auditório e se comoveu.
Leia também:
Por que o câncer de Preta Gil se espalhou? Entenda