A Síndrome dos Ovários Policísticos, ou SOP, é um distúrbio hormonal e metabólico que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Embora não tenha uma causa única, especialistas apontam que fatores genéticos, resistência à insulina e desequilíbrios hormonais desempenham um papel importante no seu surgimento. A condição é crônica, mas, com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar seus sintomas e ter qualidade de vida.
“Trata-se de uma desordem endócrina e metabólica que interfere principalmente na ovulação e na produção hormonal feminina”, explica o ginecologista Paulo Noronha em entrevista à AnaMaria. O corpo passa a produzir mais androgênios, hormônios considerados ‘masculinos’, e isso desregula o ciclo menstrual, atrapalha o funcionamento dos ovários e pode desencadear problemas metabólicos, como obesidade, resistência insulínica e até diabetes.
Fique atenta aos sinais do seu corpo
A SOP pode se manifestar de diferentes formas e com intensidades variadas, o que, muitas vezes, dificulta o diagnóstico precoce. Os sintomas mais frequentes são:
- Ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação (amenorreia);
- Acne persistente e pele oleosa;
- Excesso de pelos em regiões como rosto, abdômen e tórax (hirsutismo);
- Queda de cabelo com padrão masculino;
- Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
- Manchas escuras nas dobras da pele, conhecidas como acantose nigricans;
- Dificuldade para engravidar.
“O importante é saber que nem toda mulher com SOP apresenta todos os sintomas. Algumas têm apenas a menstruação irregular, enquanto outras reúnem vários sinais clínicos e laboratoriais”, explica a endocrinologista Tassiane Alvarenga.
Vale lembrar ainda que nem toda mulher com ovários policísticos identificados no ultrassom tem a síndrome. Segundo os especialistas, o diagnóstico só é confirmado com base em um conjunto de critérios.
Diagnóstico é clínico, laboratorial e deve ser feito por especialista
Atualmente, o diagnóstico da SOP é feito com base nos chamados critérios de Roterdã. Para confirmar a síndrome, a mulher deve apresentar ao menos dois dos seguintes três pontos:
- Irregularidade ou ausência da ovulação (anovulação);
- Sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de androgênios;
- Ovários com múltiplos folículos visíveis ao ultrassom.
Exames laboratoriais que avaliam hormônios, como LH, FSH, testosterona e DHEAS, além de dosagens de glicemia e insulina, costumam ser solicitados. O ultrassom transvaginal também é fundamental na avaliação.
Segundo a ginecologista Graziela Canheo, muitas vezes, o diagnóstico pode ser feito apenas com base nos sintomas. Mas é essencial que o acompanhamento seja feito por um profissional capacitado, já que outras condições hormonais podem ter sinais parecidos.
SOP e fertilidade: é possível engravidar mesmo com o diagnóstico?
Um dos maiores temores de quem descobre a SOP é sobre o impacto da condição na fertilidade. E a verdade é que, sim, a síndrome pode dificultar a gravidez – mas isso não significa que ela torne a mulher infértil.
“A SOP é uma das causas mais comuns de infertilidade feminina por anovulação. Quando a ovulação não acontece de forma regular, a chance de engravidar diminui. Mas com tratamento adequado, muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente”, afirma Paulo.
Graziela ressalta que até mesmo mulheres com ciclos regulares, mas que apresentam resistência insulínica ou distúrbios hormonais, podem ter alterações na receptividade endometrial, o que também impacta a fertilidade. Por isso, o acompanhamento médico é sempre importante.
Estilo de vida saudável é a base do cuidado
O tratamento da SOP deve ser sempre individualizado, considerando os sintomas e os objetivos de cada paciente. Apesar disso, há um ponto em comum para todas as abordagens: mudanças no estilo de vida.
Uma alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e controle do peso são estratégias que trazem grandes benefícios. Segundo Graziela, a redução de apenas 10% do peso corporal já pode ser suficiente para regular os ciclos menstruais em muitas mulheres.
Além disso, outros tratamentos podem ser indicados:
- Anticoncepcionais combinados, que ajudam a regular o ciclo e controlar o excesso de androgênios;
- Metformina, indicada para mulheres com resistência insulínica;
- Indutores de ovulação, como letrozol ou citrato de clomifeno, em casos de tentativa de gravidez;
- Tratamentos dermatológicos para acne e hirsutismo, quando necessário.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (8 de agosto). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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