A gestação é um período de grandes mudanças no corpo da mulher, trazendo consigo diversas alterações físicas e emocionais. Nesse contexto, a fisioterapia pélvica surge como uma ferramenta essencial para proporcionar bem-estar e saúde durante e após a gravidez.
AnaMaria conversou com Marisa Marin, especialista em fisioterapia pélvica, que explica como essa prática pode ser benéfica e desmistifica alguns mitos comuns. Um dos grandes equívocos é acreditar que a fisioterapia pélvica é indicada apenas para mulheres que buscam o parto normal.
“A fisioterapia pélvica é indicada independente da via de parto. O foco está nas alterações que ocorrem durante a gestação, que pode causar escape de urina, hemorroidas e dores pélvicas, além de aliviar desconfortos no quadril, lombar, pubalgia e tensão no nervo ciático”, explica a fisioterapeuta.
Constipação Intestinal e Fisioterapia Pélvica
Muitas gestantes sofrem com a constipação intestinal devido ao consumo de ferro nas suplementações. A fisioterapia pélvica pode ser uma grande aliada nesse aspecto.
“Trabalhamos com exercícios e orientações que ajudam a evacuar de forma mais tranquila e segura, evitando o agravamento do quadro que pode levar a hemorroidas”, esclarece Marisa. As disfunções sexuais femininas podem ser comuns, inclusive durante a gravidez.
“Muitas mulheres já apresentam essas disfunções antes mesmo de engravidar. A fisioterapia pélvica oferece orientações sobre a musculatura do assoalho pélvico, melhorando a qualidade perineal, conscientização e controle da região”, destaca a especialista.
Para obter os benefícios da fisioterapia pélvica, é importante iniciar o tratamento desde o início da gestação.
“Assim que a mulher descobre a gravidez, deve procurar uma fisioterapeuta pélvica. Receberá orientações sobre postura, exercícios abdominais adequados e conscientização do assoalho pélvico”, recomenda Marisa.
Além disso, o tratamento não se restringe ao período gestacional. “A fisioterapia pélvica pode ser feita em qualquer fase da vida, tratando queixas urinárias, fecais e sexuais tanto em mulheres quanto em homens.”
Fisioterapia Pélvica e Endometriose
Mulheres com endometriose também podem se beneficiar da fisioterapia pélvica. “Nesses casos, a paciente geralmente apresenta cólica menstrual intensa e dores na relação sexual. A fisioterapia atua no alívio dessas queixas, proporcionando melhor qualidade de vida”, afirma Marisa.
O atendimento pós-parto também é fundamental na fisioterapia pélvica. “Dependendo do trabalho de parto, a paciente pode iniciar o tratamento logo após o nascimento, às vezes ainda na maternidade. Normalmente, aconselho o retorno ao consultório dentro de 7 a 10 dias pós-parto”, orienta Marisa.
Prevenção com a Fisioterapia Pélvica
A fisioterapia pélvica não é apenas um tratamento, mas também uma forma de prevenção.
“Assim como nos exercitamos preventivamente, podemos exercitar a parte pélvica de maneira preventiva. Ganhar conhecimento sobre essa região e compreender suas estruturas contribui para uma melhor qualidade de vida e reduz a tendência a problemas pélvicos no futuro”, conclui Marisa Marin.
A fisioterapia pélvica se apresenta como uma prática versátil e essencial para a saúde da mulher, especialmente durante a gestação. Independentemente do tipo de parto, a fisioterapia pode aliviar desconfortos, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Portanto, se você está grávida ou planeja engravidar, considere buscar o auxílio de uma fisioterapeuta pélvica desde o início da gestação. Seus benefícios vão muito além do parto, estendendo-se ao bem-estar geral da mulher em diversas fases da vida.
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