A enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça mais incapacitantes e atinge milhões de pessoas no mundo. Embora não seja uma condição exclusiva do público feminino, as mulheres costumam apresentar crises mais intensas, frequentes e prolongadas.
Um dos principais motivos está nas oscilações hormonais ao longo da vida. Alterações nos níveis de estrogênio, comuns durante o ciclo menstrual, podem atuar como gatilho para as crises ou aumentar sua intensidade. Segundo a neurologista Thaís Villa, especialista no tratamento da doença, a diferença entre homens e mulheres é evidente na prática clínica. “Essa não é uma doença exclusiva em mulheres, mas são elas que, por apresentarem quadros mais severos de dor de cabeça, acabam procurando mais por atendimento especializado e, consequentemente, são mais diagnosticadas com a enxaqueca”, diz.
O que acontece no cérebro durante a enxaqueca
A enxaqueca está ligada a um estado de hiperexcitabilidade cerebral. Isso significa que o cérebro reage de forma exagerada a estímulos internos e externos, desencadeando dor intensa e uma série de sintomas associados. Além da dor de cabeça, o quadro pode incluir náuseas, sensibilidade à luz e ao som, tontura e alterações visuais.
A predisposição para a doença costuma ser hereditária. Ou seja, muitas pessoas já nascem com maior tendência a desenvolver enxaqueca, enquanto fatores ambientais e hormonais atuam como desencadeadores das crises ao longo da vida.
Fase fértil costuma concentrar crises mais fortes
Nas mulheres, os episódios costumam ser mais incapacitantes especialmente da adolescência até aproximadamente os 50 anos. Esse período coincide com a fase de maior atividade hormonal, quando os níveis de estrogênio variam com maior intensidade. Essas mudanças interferem diretamente nos mecanismos cerebrais relacionados à dor. É também nessa etapa da vida que muitas mulheres passam a utilizar anticoncepcionais hormonais.
Anticoncepcionais e tabagismo podem aumentar riscos
De acordo com a especialista, algumas combinações merecem atenção especial. Estudos indicam que o uso de anticoncepcionais combinados, que contêm estrogênio e progesterona, pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral em mulheres com enxaqueca.
A associação entre enxaqueca com aura, anticoncepcional hormonal combinado e tabagismo pode elevar significativamente esse risco. “Essa combinação pode representar uma verdadeira bomba, elevando em até 15 vezes o risco de AVC, diz Thais”
Quando a enxaqueca é acompanhada de aura, quadro que pode provocar alterações visuais e sensoriais antes da dor, o perigo pode ser ainda maior, chegando a aumentar o risco de AVC em até 30 vezes quando associado ao tabagismo.

Tratamento precisa ser individualizado
Apesar dos riscos, especialistas ressaltam que a doença pode ser controlada com acompanhamento adequado. O tratamento mais eficaz costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, com participação de neurologistas, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais de saúde.
Esse cuidado integrado permite avaliar fatores hormonais, emocionais, alimentares e comportamentais que podem influenciar as crises. “Existe tratamento eficaz para a enxaqueca e ele precisa enxergar o paciente como um ser único. Isso significa combinar tratamentos de última geração com estratégias não medicamentosas, capazes de prevenir e reduzir a frequência das crises. O cuidado deve ser individualizado e contínuo”, explica.
Automedicação pode piorar o problema
Outro alerta importante envolve o uso frequente de analgésicos sem orientação médica. Embora possam aliviar momentaneamente a dor, medicamentos usados de forma repetida podem perpetuar o ciclo das crises e contribuir para a cronificação da enxaqueca. O consumo excessivo de cafeína também pode agravar o quadro em algumas pessoas.
“Com diagnóstico adequado, acompanhamento especializado e mudanças no estilo de vida, é possível reduzir a frequência e a intensidade das crises, devolvendo qualidade de vida e autonomia às pacientes”, avisa a médica.
Resumo
A enxaqueca afeta homens e mulheres, mas tende a ser mais intensa no público feminino devido às oscilações hormonais. Especialistas alertam que a combinação entre enxaqueca com aura, anticoncepcionais hormonais e tabagismo pode aumentar o risco de AVC, reforçando a importância do acompanhamento médico adequado.
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