A recuperação de movimentos após uma lesão grave na medula costuma ser lenta, incerta e marcada por muitas limitações. Foi nesse contexto que o caso da nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, de 35 anos, chamou a atenção nos últimos dias. Internada desde o início de janeiro após um acidente no litoral paulista, ela apresentou um sinal de melhora depois de receber a aplicação experimental da polilaminina: voltou a mexer o braço direito, algo que não acontecia desde o trauma.
O avanço foi relatado pela família após a aplicação da substância, feita ainda durante a internação hospitalar em São Paulo. Apesar da resposta inicial positiva, médicos e pesquisadores reforçam que o tratamento segue em caráter experimental e que não é possível prever os desdobramentos da recuperação.
O acidente que levou à lesão medular
Flávia se acidentou no dia 3 de janeiro, durante um mergulho na praia de Maresias, no litoral norte de São Paulo. Ela bateu a cabeça em um banco de areia, perdeu a consciência e precisou ser socorrida imediatamente. O impacto causou uma lesão medular grave em três vértebras da região cervical, além de pequenas lesões cerebrais isquêmicas associadas ao trauma.
Desde o dia seguinte ao acidente, a nutricionista permanece internada em Unidade de Terapia Intensiva. Nos primeiros dias, passou por cirurgias de descompressão da coluna, consideradas essenciais para evitar complicações respiratórias e preservar funções vitais.
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma proteína produzida em laboratório a partir da laminina, substância naturalmente presente no organismo humano e fundamental para a formação e conexão dos neurônios durante o desenvolvimento embrionário. O composto vem sendo estudado há mais de duas décadas por pesquisadores brasileiros, com foco na recuperação de lesões na medula espinhal.
A proposta do tratamento é estimular a reorganização das conexões nervosas na área lesionada, favorecendo a criação de novas rotas neurais e, com isso, a recuperação parcial de movimentos e funções perdidas após o trauma.

Por que o uso é considerado experimental?
Apesar dos resultados observados em pesquisas iniciais, a polilaminina ainda não tem autorização para uso comercial nem terapêutico regular em humanos no Brasil. No caso de Flávia, a aplicação só foi possível após uma decisão judicial que permitiu o uso compassivo da substância, previsto em normas sanitárias para situações excepcionais.
Segundo a família, a autorização foi necessária porque nem todos os hospitais aceitam aplicar medicamentos que ainda estão em fase de testes, justamente pela possibilidade de efeitos adversos que seguem em avaliação.
Sinais de melhora e cautela médica
Após a aplicação da polilaminina, a família relatou que Flávia voltou a movimentar o braço direito, algo que não havia ocorrido desde o acidente. O gesto, ainda limitado, foi recebido com esperança, mas também com cautela pela equipe médica.
Especialistas reforçam que respostas iniciais não garantem recuperação completa e que cada caso de lesão medular evolui de forma diferente. O acompanhamento segue rigoroso, com foco na estabilidade clínica e na reabilitação gradual.
Internação prolongada e mobilização da família
Sem plano de saúde, a família optou pela internação em hospital particular devido à gravidade do quadro e à necessidade de intervenções rápidas. A conta hospitalar já ultrapassa R$ 1 milhão. Para arcar com os custos, parentes e amigos organizaram uma vaquinha virtual e eventos beneficentes.
A expectativa é que Flávia permaneça internada por mais algumas semanas. Após a estabilização do quadro, a família avalia a transferência para a rede pública para dar continuidade ao processo de reabilitação.
Resumo:
Após sofrer uma grave lesão medular em um mergulho no litoral paulista, a influenciadora Flávia Bueno apresentou um sinal inicial de recuperação ao voltar a mexer o braço direito depois de receber polilaminina, proteína ainda em fase experimental. O tratamento foi autorizado por decisão judicial e segue sob acompanhamento médico rigoroso.
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