Por Dr. Leandro de Paula Gregório – Cirurgião Plástico, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica https://www.instagram.com/drleandrogregorio/
Todo início de ano traz consigo uma lista silenciosa de promessas. Algumas estão ligadas ao trabalho, outras à saúde, mas muitas recaem sobre o corpo. No consultório, janeiro costuma ser o mês em que escuto frases como: “Agora eu vou resolver isso”, “Esse ano eu mudo meu corpo” ou “Quero começar o ano diferente”.
Como cirurgião plástico, aprendi que o problema não está no desejo de mudança — ele é legítimo. O risco começa quando esse desejo nasce da pressão, da comparação ou da pressa.
A pressão estética não tira férias
O verão amplia a exposição do corpo e, junto com ela, a cobrança. Roupas mais curtas, praia, piscina e redes sociais criam um ambiente onde a comparação se torna quase automática. A estética passa a ser vista como urgência, e não como escolha consciente.
Esse tipo de pressão costuma gerar decisões baseadas em incômodo momentâneo, não em necessidade real. E decisões tomadas nesse estado emocional raramente trazem satisfação duradoura.
Modismos não respeitam individualidade
Outro fenômeno comum no início do ano são os modismos estéticos. Técnicas “da vez”, corpos padronizados, promessas de resultados rápidos e soluções universais. O problema é que o corpo humano não funciona em tendência.
Cada organismo responde de uma forma, cada história corporal é única e cada expectativa precisa ser analisada com critério. O que funcionou para alguém nas redes sociais pode não fazer sentido — ou até representar risco — para outra pessoa.
Na cirurgia plástica responsável, não existe procedimento ideal sem indicação precisa.
Quando o desejo de mudança é saudável
Querer se sentir melhor no próprio corpo não é futilidade. É saúde emocional, autoestima e bem-estar. A diferença está no motivo. Mudanças fazem sentido quando nascem do autoconhecimento, da informação e de expectativas realistas.
Uma decisão consciente começa com perguntas simples, mas fundamentais:
- Isso me incomoda há quanto tempo?
- Essa expectativa é minha ou vem de fora?
- Estou buscando transformação ou correção de algo específico?
Quando essas respostas são claras, o caminho tende a ser mais seguro e satisfatório.
O tempo do corpo não é o tempo do calendário
Janeiro pode simbolizar recomeços, mas o corpo não obedece a datas. Ele precisa de avaliação, preparo, planejamento e respeito aos seus limites. Pressa, ansiedade e comparação são péssimos conselheiros quando o assunto é estético.
Na minha prática, sempre reforço: cirurgia plástica não é sobre começar o ano com um novo corpo, mas sobre cuidar do corpo que se tem, com responsabilidade.
Menos promessa, mais consciência
Talvez a melhor promessa estética para o início do ano não seja mudar, mas entender. Entender o próprio corpo, os próprios limites e o que realmente faz sentido em cada fase da vida.
A estética que transforma de verdade não nasce da urgência — nasce da decisão consciente.







