Você acorda cansada mesmo após uma noite inteira de sono. O peso aumenta sem grandes mudanças na alimentação, o humor oscila, a libido diminui e o espelho parece mostrar um corpo diferente daquele de poucos anos atrás. Os exames de rotina seguem dentro da normalidade e a explicação mais comum costuma ser o estresse. Mas, em muitos casos, o que está por trás desse conjunto de sintomas é o climatério, uma fase natural, porém pouco discutida, da saúde feminina.
“É uma fase de transição natural, mas com impacto direto no metabolismo, no sono, no cérebro, na composição corporal e até no intestino. A mulher começa a perder o controle sobre o próprio corpo sem entender o porquê”, explica Ronan Araujo, médico nutrólogo com atuação em longevidade e saúde metabólica.
Quando o corpo muda e ninguém explica
O climatério antecede a menopausa e pode começar por volta dos 40 anos, ou até antes, dependendo de fatores genéticos, hormonais e de estilo de vida. O problema é que ele não chega de forma abrupta nem igual para todas as mulheres. Os sinais aparecem aos poucos, muitas vezes sem a ausência completa da menstruação, o que dificulta a identificação.
Nesse período, é comum que mulheres passem anos tentando resolver sintomas como cansaço persistente, inchaço, dificuldade para emagrecer e noites mal dormidas com soluções genéricas, sem perceber que o corpo está passando por uma transição hormonal profunda.
O que é o climatério, afinal
O climatério é o período que marca a transição do funcionamento reprodutivo pleno para o fim da fase fértil, culminando na menopausa, definida como a última menstruação. Ele não termina com a menopausa, podendo se estender por vários anos depois.
A principal característica dessa fase é a queda gradual de hormônios como estrogênio e progesterona, responsáveis por regular funções que vão muito além do ciclo menstrual. Por isso, os efeitos são sistêmicos e afetam diferentes áreas do organismo.
Sintomas comuns que costumam ser ignorados
Mesmo sem ondas de calor intensas, o climatério pode se manifestar de várias formas. Entre os sintomas mais frequentes estão ganho de peso, especialmente na região abdominal, dificuldade para perder gordura, cansaço constante, queda de energia, insônia ou sono fragmentado, alterações de humor, ansiedade, irritabilidade, diminuição da libido, retenção de líquidos, sensação de inchaço, pele mais seca e queda de cabelo.
Esses sinais nem sempre aparecem juntos, o que contribui para a confusão e para o atraso no diagnóstico.
Por que o metabolismo muda tanto nessa fase
A redução dos hormônios sexuais altera diretamente o metabolismo. A mulher passa a perder massa magra com mais facilidade, acumula gordura visceral, retém mais líquidos e entra em um estado inflamatório crônico de baixa intensidade.
Essas mudanças interferem na sensibilidade à insulina, no funcionamento do intestino e até na saúde mental. “É nesse momento que vemos mulheres que sempre foram ativas começarem a engordar sem explicação, desenvolverem compulsões alimentares ou entrarem em ciclos de esgotamento e insônia”, alerta Ronan.
O que pode ser feito para atravessar o climatério melhor
Existe tratamento, e ele não se resume à reposição hormonal. O cuidado precisa ser global e individualizado, considerando sintomas, exames, rotina e histórico de saúde.
Ajustes na alimentação, com foco anti-inflamatório, fortalecimento da massa muscular, atenção à qualidade do sono, cuidado com a saúde intestinal e acompanhamento médico adequado fazem parte da estratégia. Em alguns casos, a modulação hormonal pode ser indicada, desde que feita com critério e acompanhamento.
O climatério não precisa ser sinônimo de sofrimento ou perda de identidade. Informação e escuta são ferramentas fundamentais para que a mulher recupere o controle sobre o próprio corpo.
“Não é sobre combater a idade. É sobre viver melhor cada fase da vida com consciência, estratégia e suporte médico”, finaliza Ronan.
Resumo:
O climatério é uma fase de transição hormonal que pode começar antes da menopausa e causar sintomas como cansaço, ganho de peso, insônia e alterações de humor. Pouco discutido, ele afeta metabolismo, sono e composição corporal. Com acompanhamento adequado e estratégias individualizadas, é possível atravessar esse período com mais saúde, bem-estar e qualidade de vida.
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