Cólicas que interrompem a rotina, dor pélvica persistente, noites mal dormidas e oscilações de humor fazem parte da experiência de muitas mulheres diagnosticadas com endometriose. Ao longo dos últimos anos, além das abordagens hormonais e analgésicas tradicionais, uma nova possibilidade passou a chamar atenção no consultório e na pesquisa científica: o uso do canabidiol, conhecido como CBD, como estratégia complementar no controle dos sintomas.
Extraído da cannabis e sem efeito psicoativo, o CBD vem sendo estudado por sua atuação em processos ligados à dor e à inflamação, dois pilares da endometriose. A proposta não é substituir tratamentos já consolidados, mas ampliar as opções terapêuticas para mulheres que convivem com limitações impostas pela doença.
Um caminho diferente do tratamento hormonal
Ao contrário de terapias baseadas em hormônios, o canabidiol atua em outro sistema do organismo. “O canabidiol não é um hormônio e não substitui o estrogênio. Ele age no sistema endocanabinoide, que regula funções como dor, inflamação, humor, sono e resposta ao estresse, exatamente os processos que entram em desequilíbrio quando há oscilações hormonais”, explica Juliana Bogado, médica especializada em canabidiol e diretora-geral da EndoPure Academy.
O sistema endocanabinoide está presente em diferentes órgãos e tecidos e atua como um regulador do equilíbrio corporal. Pesquisas apontam que alterações hormonais comuns ao ciclo menstrual, à endometriose e à menopausa podem interferir diretamente no funcionamento desse sistema.
Inflamação e dor no centro da discussão
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, o que desencadeia processos inflamatórios recorrentes. Nesse contexto, o CBD vem sendo investigado por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.
“O CBD apresenta ação anti-inflamatória, analgésica e relaxante muscular, o que contribui para reduzir cólicas intensas e dores pélvicas, comuns na TPM e na endometriose”, afirma Juliana. Segundo ela, os canabinoides também influenciam a produção de prostaglandinas, substâncias diretamente envolvidas na dor menstrual, além de modularem a forma como o sistema nervoso percebe a dor.
Estudos observacionais e relatos clínicos têm mostrado redução da intensidade das dores em mulheres que não obtiveram resposta satisfatória com analgésicos convencionais, embora a especialista ressalte que a ciência ainda busca ensaios clínicos mais amplos.
“Ainda não temos grandes estudos clínicos randomizados, mas os dados observacionais e a prática clínica mostram bons resultados, especialmente em mulheres que não respondem bem aos analgésicos convencionais”, diz.
Sono e humor entram no tratamento
A dor não é o único sintoma que afeta a qualidade de vida de quem convive com a endometriose. Distúrbios do sono, irritabilidade e ansiedade aparecem com frequência, agravando o impacto físico e emocional da doença.
“Muitas mulheres percebem uma redução do tempo para adormecer, menos despertares noturnos e uma sensação de sono mais reparador já nas primeiras semanas”, relata Juliana. A melhora do descanso noturno tende a refletir também no controle da dor e na disposição ao longo do dia.
No campo emocional, o canabidiol também tem sido associado a maior estabilidade. “Ele ajuda a reduzir a irritabilidade, os picos de ansiedade e aumenta a tolerância ao estresse. Isso é especialmente relevante na perimenopausa, fase marcada por grande instabilidade emocional”, completa.

Uso complementar e com acompanhamento
Apesar do interesse crescente, o CBD ainda deve ser encarado como parte de um plano terapêutico individualizado. O uso sem orientação médica ou com produtos de procedência desconhecida pode trazer riscos e comprometer os resultados.
O avanço das pesquisas indica que o canabidiol pode ocupar um espaço relevante no manejo da endometriose, sobretudo no controle da dor e na melhora do bem-estar. Ainda assim, especialistas reforçam que ele não substitui o acompanhamento ginecológico nem tratamentos indicados para cada estágio da doença.
Resumo:
O canabidiol vem sendo estudado como alternativa complementar no manejo da dor e da inflamação associadas à endometriose. Ao atuar no sistema endocanabinoide, o CBD pode ajudar no controle das cólicas, na melhora do sono e no equilíbrio do humor. O uso deve ser individualizado e sempre com acompanhamento médico.
Lígia Menezes
Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 3 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!








