Março chegou e, com ele, a campanha Março Azul-Marinho reforça um alerta importante: o avanço do câncer colorretal no Brasil. Segundo estudo divulgado pela Fundação do Câncer em março de 2025, os casos devem crescer 21% entre 2030 e 2040. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 54 mil novos diagnósticos por ano até 2028.
Esse salto chama atenção porque, no triênio 2023–2025, o país registrava aproximadamente 45 mil casos anuais. Ou seja, a projeção indica mais de 10 mil novos registros por ano no período seguinte. Atualmente, o câncer colorretal já ocupa a segunda posição entre os tipos mais incidentes no Brasil, considerando homens e mulheres (exceto pele não melanoma).
Câncer colorretal avança e preocupa especialistas
O crescimento da doença não acontece por acaso. De acordo com a Fundação do Câncer e o Inca, o envelhecimento da população impulsiona parte desse aumento. No entanto, especialistas também apontam o estilo de vida como fator decisivo.
O cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), explica que o câncer colorretal costuma se desenvolver a partir de pólipos — lesões benignas que podem se transformar ao longo dos anos. “Quando não há rastreamento estruturado, perdemos a oportunidade de intervir antes que a doença avance”, afirma.
Atualmente, o Brasil não conta com um programa nacional organizado de rastreamento. Por isso, muitos pacientes recebem o diagnóstico em fases mais avançadas, o que impacta diretamente as chances de cura.
Jovens também entram no radar
Tradicionalmente associado a pessoas acima dos 60 anos, o câncer colorretal agora aparece com mais frequência em adultos entre 30 e 50 anos. Nos Estados Unidos, o U.S. Preventive Services Task Force reduziu a idade recomendada para início do rastreamento de 50 para 45 anos, justamente por causa desse aumento entre jovens.

Segundo o especialista, hábitos como alimentação rica em ultraprocessados, baixo consumo de fibras, sedentarismo, obesidade e álcool em excesso favorecem processos inflamatórios no intestino. Dessa forma, o organismo se torna mais vulnerável ao desenvolvimento de tumores.
Além disso, muitos jovens ignoram sinais de alerta. Sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, anemia sem causa aparente, distensão abdominal e perda de peso involuntária exigem investigação. Portanto, idade não pode ser o único critério para descartar exames.
A colonoscopia, considerada padrão ouro, permite identificar lesões precoces e remover pólipos antes que evoluam. Quando o diagnóstico ocorre no início, as taxas de sobrevida ultrapassam 90%. Por outro lado, em estágios avançados, o tratamento se torna mais complexo.
Resumo: O câncer colorretal deve crescer 21% no Brasil na próxima década. O país pode chegar a 54 mil casos por ano até 2028. Especialistas alertam para diagnóstico precoce e atenção aos sintomas, inclusive entre jovens.
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