Arroto, gases, barriga roncando, soluço… O sistema digestivo é um verdadeiro maestro de sons — e, às vezes, de cheiros — que fazem parte da vida cotidiana. Mas até que ponto tudo isso é normal? Entenda, primeiramente que muitos desses sinais fazem parte do funcionamento saudável do organismo. Em outros casos, porém, podem indicar que algo não vai bem.
Quando o corpo fala — e tudo está bem
→ Flatulências (gases)
Os gases são parte natural do processo digestivo. Eles surgem tanto do ar engolido durante as refeições quanto da fermentação de carboidratos feita pela microbiota intestinal.
Um adulto saudável elimina, em média, 20 gases por dia, inclusive durante o sono — e muitos passam despercebidos.
Gases em excesso podem estar relacionados a intestino mais lento, inflamações, intolerâncias alimentares ou desequilíbrios da microbiota.
E o cheiro forte? Não significa doença.
O odor está ligado à fermentação de alimentos ricos em enxofre (como feijão, ovo, carne e leite) e à composição individual da microbiota.
→ Barriga roncando (borborigmos)
Aquele ronco alto no meio da reunião geralmente tem uma explicação simples: fome.
Quando o estômago está vazio, ar e líquidos circulam com mais liberdade, amplificando os sons produzidos pelo movimento gastrointestinal. Isso é o cérebro enviando um lembrete de que é hora de se alimentar.
→ Arroto (eructação)
O arroto é praticamente “gás saindo pelo andar de cima”.
O ar engolido distende o estômago, que o envia de volta pelo esôfago. Misturado aos gases presentes ali, ganha o cheiro típico.
Hábitos que aumentam o arroto:
- mastigar rápido
- falar durante as refeições
- beber refrigerantes ou bebidas gaseificadas
Atenção aos sinais de alerta:
Arrotos: Arrotos frequentes acompanhados de queimação, dor, azia ou regurgitação podem indicar refluxo gastroesofágico, gastrite ou outra doença que precisa de avaliação médica.
Soluço: Esse ruído tão característico é resultado de uma contração involuntária do diafragma, seguida do fechamento súbito da glote — o que produz o som. Ele costuma aparecer após:
- excesso de comida
- ingestão de bebidas alcoólicas
- consumo de bebidas gaseificadas
- mudanças bruscas de temperatura
Embora seja incômodo, o soluço normalmente não representa perigo.
Contudo, se durar mais de 48 horas ou vier acompanhado de febre, dor no peito ou confusão mental, pode estar relacionado a condições como pneumonia, problemas metabólicos ou até doenças neurológicas.
Quando os barulhos exigem atenção
O sons do abdômen acompanhados de: dor intensa, distensão abdominal, febre, vômitos persistentes e ausência de evacuação ou gases, podem sinalizar infecções, inflamações ou até obstrução intestinal — situações que exigem avaliação médica imediata.
O que fazer para manter o sistema digestivo “em harmonia”?
- Mastigue devagar.
- Evite falar enquanto come.
- Reduza bebidas gaseificadas.
- Aumente a ingestão de fibras e água.
- Pratique atividade física regularmente.
- Identifique alimentos que causem desconforto.
- Mantenha um padrão alimentar equilibrado.
Os barulhos e cheiros do corpo fazem parte da fisiologia humana — muitos deles são, inclusive, sinais de que tudo está funcionando como deveria. No entanto, quando surgem em excesso, com dor ou outros sintomas associados, podem ser pistas importantes de desequilíbrios no sistema digestivo.
Ouvir o corpo é essencial. A maioria desses sinais é normal, mas, quando algo foge ao padrão, vale conversar com um especialista.
Dr Rodrigo Barbosa, cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. Sou também CEO do Instituto Medicina em Foco







