Durante uma conversa na noite de ontem, Babu Santana disse aos seus colegas que as atitudes de Ana Paula são minimizadas porque ela é branca dos olhos claros e que, quando Karol Conká teve atitudes semelhantes, saiu com 98% de rejeição.
Discordo! Na edição da Karol, houve uma quebra de expectativa em relação ao que esperávamos da participante antes do jogo e o que ela mostrou verdadeiramente ser dentro da casa. Karol ficou marcada pelo mais profundo cancelamento envolvendo uma “queda de máscaras”. Antes do BBB, era a artista disruptiva, empoderada, empática com mulheres e pessoas negras.
Dentro do BBB, uma mulher ansiosa, agressiva, com traumas não curados que vieram à tona com a pressão da edição. Foi um movimento que levou não só o público a conhecer a artista no seu pior lado, mas também ela própria entender, aceitar e trabalhar suas limitações. Houve racismo envolvido no julgamento, com certeza! A mão pesa sempre mais para pessoas pretas, e sabemos bem disso, mas Karol despertou um sentimento de rejeição que também levava em conta a “morte” da persona que todos já conheciam. Também jogava contra o fato de Lumena ser uma pessoa completamente chata, com opiniões militantes e pedantes sobre tudo.
Já Ana Paula Renault é justamente o contrário: todo mundo que acompanha o mundo dos famosos sabe que ela é uma pessoa de personalidade forte, e muitas vezes de difícil convivência, haja vista suas passagens anteriores por outros realitys. Ninguém esperava que ela fosse se fazer de boazinha. Ela é o que ela é e não faz questão nenhuma de esconder isso. Acredito que esta verdade esteja agradando ao público: gostamos de pessoas verdadeiras, combativas e intensas.
Pode ser que em algum momentos ela pese a mão de forma desnecessária? Sim, claro, afinal, ela está dentro de uma panela de pressão, lutando por R$5 milhões. Mas, em nenhum momento ela perdeu o controle como Karol Conká.
E, justamente o controle (ou intencionalidade) de suas provocações é que impossibilita também a comparação. Enquanto Karol estava visivelmente tomada pelo ódio e ansiedade (sentimentos que talvez estivessem guardados ali no seu coração sem mesmo ela saber), Ana Paula controla os instintos e vai de forma cirúrgica impondo pressão nos colegas da casa, quase que como uma agulha de acupuntura ao contrário.
Sobre a grande parceria de Ana Paula: tia Milena é infinitamente mais legal que Lumena, mesmo com seus surtos e birras infantis.
Por isso, não acho coerente o Babu impor um debate racial dentro dessa dinâmica. Isso diz mais sobre como ele utiliza lutas importantes ao seu benefício individual, do que como o racismo de fato interfere no jogo presente.








