Vi agora à tarde a notícia de que Pedro, o ex participante que assediou Jordana no BBB 26 e depois desistiu, foi internado em uma clínica psiquiátrica. A notícia foi dada com exclusividade pelo jornalista Léo Dias, no “Melhor da Tarde”, da Band. Eu já tinha lido anteriormente que, após sair dos estúdios Globo, o jovem encontrou seus familiares, porém, não reconheceu seu pai e irmão e também acreditava estar na França.
Confesso que eu já estava desconfiando que este rapaz estava em inicio de surto – isto não é uma tentativa de minimizar a gravidade do assédio e também o gatilho que a cena causou em milhões de mulheres -, justamente porque o comportamento do rapaz estava muito fora da realidade: ele repetindo várias e várias vezes que havia traído a companheira; mexendo na mala dos outros; noites sem dormir; fingindo um ataque de ansiedade etc.
Pedro não foi o primeiro participante a sair da casa e ingressar em uma clínica. Vanessa Lopes, do BBB 24, teve um percurso semelhante. Ao sair completamente fora da realidade, ela precisou passar por um tratamento para conseguir recuperar a saúde mental.
Com dois casos tão marcantes, a questão que fica aqui é a seguinte: como prever que uma pessoa vá desenvolver um surto ou colapso mental dentro do BBB? Vejo muitas pessoas dizendo: “mas a equipe psicológica do programa falhou”, “faltou profissionalismo”, etc.
No entanto, a questão aqui é bem mais difícil do que se parece. Primeiro porque os tipos de transtornos mentais crescem exponencialmente, haja vista que o DSM- Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, livro que relata os principais casos conhecidos pela ciência, ganha, cada vez mais, novas páginas a cada edição. O DSM é chamado de “Bíblia dos psiquiatras”.
O segundo fato importante é: como separar doença de caráter ? intenção da patologia? Ainda, como prever isto em participantes que ainda não entraram, ou seja, ainda não viveram a experiência estressante de conviver com vários desconhecidos, longe da família, da rotina, e da vida cotidiana comum? Como prever um surto em condições normais?
Geralmente, a psicoterapia e o uso medicamentoso exigem tempo. Tempo de adaptação, de compreensão e de conscientização. Diagnosticar alguém na fase aguda ou que já possui um histórico de doença mental é simples, agora, como prever uma doença quando os sinais ainda são quase inexistentes, como foi o caso de Vanessa Lopes e agora do Pedro?
O Transtorno de Estresse Pós Traumático, por exemplo, é comum em pessoas que viveram em ambientes de guerra: muitos soldados desenvolvem essa doença. Mas, como saber se o soldado vai desenvolver antes de chegar no conflito?
A doença mental é inata (genética) ou fruto do meio? Ou a combinação dos dois?
Estas são as perguntas que realmente gostaria de ver os psicólogos e psiquiatras respondendo a partir de agora! De fato, estou curioso por esse tema!








