A desistência de Pedro do BBB 26, após a acusação de assédio feita por Jordana, levou o programa a exibir, ao vivo no domingo (18), as imagens do episódio que motivou a saída do participante. O caso de assédio no programa voltou a levantar discussões sobre consentimento, comportamento abusivo e responsabilidade em ambientes de convivência intensa.
As imagens mostraram Jordana na despensa da casa, procurando um aparelho de babyliss, quando Pedro se aproximou, segurou seu pescoço e tentou beijá-la sem consentimento. Assustada, a sister reagiu imediatamente: “O que é isso?”, questionou. Pedro respondeu: “Achei que você estava querendo dizer alguma coisa”.
Jordana rebateu a atitude e demonstrou incômodo com a aproximação. “Você está louco? Pedro, se controla. Calma que você vai meter os pés pelas mãos e se prejudicar. O que você queria fazer?”, disse. O participante respondeu: “Queria fazer o que eu estava com vontade de fazer”.
Cena de assédio no BBB 26
Durante o diálogo registrado pelas câmeras, Jordana deixou claro que não havia consentimento para a tentativa de beijo. Pouco tempo depois do ocorrido, Pedro apertou o botão de desistência e deixou o reality.
No confessionário, ele apresentou sua justificativa à produção do programa. “Estava há dias já querendo me segurar para não ficar olhando os outros, cobiçando as meninas, a Jordana principalmente, porque ela é muito parecida com a minha esposa”, afirmou. Segundo ele, a situação culminou em uma interpretação equivocada: “Olhei para ela, cobicei ela, desejei ela e achei que ela tinha dado moral também, que tinha sido recíproco. Quando vi, era só coisa da minha cabeça”.

Pedro também disse que entendeu de forma errada um pedido de ajuda da sister. “Ela pediu ajuda para achar um babyliss, e eu tentei beijar ela. Entendi errado, não era isso que ela queria”, completou.
Para a psicóloga Alessandra Costa, sócia da S2 Consultoria e referência nacional em comportamento organizacional, o caso de assédio no BBB 26 reflete dinâmicas que vão além do reality show. “Mesmo em ambientes com vigilância constante, regras explícitas e exposição pública, comportamentos abusivos continuam acontecendo”, afirma.
Segundo a especialista, o assédio não deve ser tratado como um desvio isolado. “Não estamos falando de um problema individual, mas de um fenômeno sistêmico, que depende de condições que o favorecem”, explica.
O Triângulo do Assédio aplicado ao reality
Alessandra utiliza o chamado Triângulo do Assédio, modelo identificado em pesquisa da S2 publicada no ano passado, para analisar o episódio. “O primeiro fator é a escassez, que envolve isolamento e vulnerabilidade emocional, muito presentes em contextos de confinamento”, diz. O segundo, segundo ela, envolve o uso ou abuso de poder, que vai além da hierarquia formal e inclui influência social e medo de retaliação.
O terceiro elemento é a racionalização. “É quando a pessoa tenta explicar ou normalizar o comportamento abusivo”, afirma. No BBB 26, de acordo com a psicóloga, esses fatores se combinam de forma explícita por causa da dinâmica de grupo, do silêncio estratégico e da ausência de intervenção imediata em situações que não são consideradas extremas.
Como saber o que é assédio
Para Alessandra, identificar o assédio passa pela compreensão da intencionalidade. “Ela fica clara quando o participante racionaliza o comportamento e tenta justificá-lo com fatores externos, como distância da esposa ou sinais imaginados da outra pessoa”, explica. Segundo a psicóloga, esse tipo de justificativa não elimina a intenção prévia da ação.
Ela compara a situação a ambientes corporativos marcados por cultura tóxica e canais de denúncia sem credibilidade, nos quais os mesmos fatores tendem a se repetir. “Tratar o assédio apenas depois que ele acontece é insuficiente”, afirma.
De acordo com Alessandra Costa, a prevenção exige mudanças estruturais. “O assédio precisa ser tratado como um risco de integridade”, diz. Segundo ela, ferramentas como testes de integridade e a construção de culturas que reduzam os fatores do Triângulo do Assédio ajudam a antecipar situações de risco.
Para a especialista, o assédio no BBB 26 expõe uma realidade desconfortável, mas necessária. “O assédio não surge do nada. Ele é construído por contextos, silêncios e permissões. Entender isso é o primeiro passo para preveni-lo, dentro ou fora das câmeras”, conclui.
Leia também:
Resumo do BBB (18/1): formação do 1º Paredão, assédio e desistência de brother







