Uma nova articulação diplomática anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a chamar atenção de líderes internacionais e analistas de política externa nos últimos dias. Apresentado como uma resposta prática a impasses globais recentes, o chamado Conselho da Paz surge em um momento de instabilidade geopolítica, com conflitos prolongados, cessar-fogos frágeis e dificuldades de mediação internacional.
Embora tenha sido lançado com um foco inicial bastante específico, a proposta rapidamente ganhou contornos mais amplos. E é justamente essa ampliação de objetivos que vem despertando reações cautelosas de parte da comunidade internacional.
Como surgiu o Conselho da Paz
O Conselho da Paz foi anunciado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A ideia inicial do órgão era acompanhar e sustentar o cessar-fogo em Gaza, firmado após meses de confrontos e sucessivas tentativas frustradas de mediação.
Segundo o presidente norte-americano, o conselho nasce como uma estrutura permanente de diálogo e ação, com a ambição de ir além do conflito no Oriente Médio. A proposta é que o grupo atue também em outros cenários de tensão ao redor do mundo, funcionando como um espaço de articulação política e diplomática entre países signatários.
Trump afirmou que o novo órgão não foi criado para substituir a Organização das Nações Unidas e que atuaria em cooperação com ela. Ainda assim, o discurso sobre a capacidade de o conselho “fazer praticamente qualquer coisa” quando estiver totalmente formado levantou questionamentos sobre seu real papel no sistema internacional.
Quem faz parte e quem ficou de fora
Até o momento, cerca de 35 países manifestaram compromisso com o Conselho da Paz. Entre eles estão Israel, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Catar, Indonésia, Argentina e Hungria. A adesão, no entanto, não é homogênea em termos de perfil político, já que muitos dos países signatários não são democracias consolidadas.
A França informou que não pretende aderir. O Reino Unido declarou que, por ora, não participará. A China ainda não se posicionou oficialmente. A Rússia afirmou estar analisando a proposta.
Outro ponto sensível é o financiamento. Trump indicou que países com status permanente no conselho deveriam contribuir com US$ 1 bilhão cada. Até o momento, não houve confirmação pública de aportes financeiros feitos por grandes potências.
Gaza como ponto de partida
No curto prazo, o principal desafio do Conselho da Paz é lidar com a instabilidade do cessar-fogo em Gaza. A trégua, firmada em outubro, vem sendo marcada por acusações mútuas de violações, restrições à entrada de ajuda humanitária e atrasos em acordos sensíveis, como a devolução de corpos de reféns.
Integrantes do conselho envolvidos nas negociações afirmaram que as próximas etapas incluem discutir o financiamento da reconstrução do território e o desarmamento do Hamas.
Resumo:
O Conselho da Paz foi criado por Donald Trump com o objetivo inicial de sustentar o cessar-fogo em Gaza, mas com ambição de atuar em conflitos globais. A iniciativa reúne cerca de 35 países, enfrenta resistência de grandes potências e levanta debates sobre seu papel em relação à ONU e ao sistema internacional de diplomacia.







