A paralisação dos entregadores de aplicativos continuou, pelo segundo dia consecutivo, afetando consumidores e restaurantes em todo o Brasil. O movimento, iniciado na segunda-feira (31), cobra melhores condições de trabalho e reajuste na remuneração.
Em São Paulo, epicentro da greve dos entregadores, uma motociata partiu do Pacaembu em direção à Avenida Paulista, interditando parte da via. Centenas de motociclistas e caminhões de som participaram do ato, reforçando a insatisfação da categoria com as condições de trabalho.
No Rio de Janeiro, as manifestações também mobilizaram trabalhadores, mas 12 pessoas foram presas, acusadas de impedir outros entregadores de aplicativos de atuar. Apesar dos incidentes, os organizadores afirmam que os atos são pacíficos e que pretendem continuar pressionando as empresas.
Reivindicações incluem reajuste nas tarifas
Os entregadores de aplicativos exigem um pagamento mínimo de R$ 10 por entrega, acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado, limite de três quilômetros para entregas feitas de bicicleta e o fim do agrupamento de entregas sem compensação adequada.
Muitos profissionais comparam a realidade do setor à “escravidão moderna”. Edgar, motofrentista há 24 anos, desabafou em entrevista que “colocamos todo o nosso patrimônio à disposição da empresa, mas os valores repassados não aumentam”, declarou à CNN.
Impacto nos aplicativos de delivery
O movimento gerou atrasos e dificuldades para os clientes de plataformas como iFood, Uber Eats e 99Food. Muitos consumidores relataram demoras de até duas horas nas entregas e a suspensão temporária de serviços por parte dos restaurantes.
O iFood, um dos principais aplicativos do setor, afirmou em nota que “não registrou impactos significativos” e que segue monitorando a situação. A empresa também ressaltou que 60% das entregas feitas por meio da plataforma são realizadas pelos próprios estabelecimentos.
O que esperar dos próximos dias?
A mobilização deve continuar até o final desta terça-feira (1º), mas os entregadores de aplicativos já planejam uma nova paralisação no dia 2 de maio, chamada de “feriadão”, para manter a pressão sobre as empresas do setor.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa companhias como iFood, Uber e 99, declarou que respeita o direito de manifestação e que mantém canais de diálogo abertos com os trabalhadores.
Resta saber se as empresas atenderão às demandas ou se novos protestos comprometerão ainda mais o funcionamento dos aplicativos de delivery nas próximas semanas.
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