Um estudo recente reacendeu o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Segundo uma nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP), a mudança pode levar à eliminação de mais de 600 mil empregos formais e provocar efeitos negativos relevantes sobre a produção e o crescimento econômico do país.
A análise considera o cenário em que a redução da jornada semanal é implementada sem diminuição proporcional dos salários. Nesse contexto, o custo do trabalho por hora aumenta automaticamente, o que pode pressionar empresas de diferentes setores.
Setores mais afetados
De acordo com o estudo, comércio, agropecuária e construção civil aparecem entre as áreas mais vulneráveis aos efeitos da medida. No comércio, a projeção indica uma queda de 1,3% na produtividade do trabalhador e redução de 1,6% no emprego formal, o equivalente à perda de cerca de 164 mil vagas.

Na agropecuária, os números seguem a mesma tendência, com recuo de 1,3% na produtividade e diminuição de 1,6% no número de empregos formais, o que representaria aproximadamente 28 mil postos a menos. Já na construção civil, a estimativa aponta queda de 1,3% na produtividade e redução de 1,6% no emprego, com perda próxima de 46 mil vagas.
Somados os impactos em outros segmentos da economia, o CLP calcula que o total de empregos formais eliminados pode ultrapassar 600 mil.
Efeitos na produção e no PIB
A nota técnica também projeta reflexos mais amplos. Segundo o levantamento, a produção do setor formal pode recuar até 2%, considerando tanto a diminuição das horas trabalhadas quanto a redução no número de empregados.
No plano macroeconômico, o impacto estimado no Produto Interno Bruto seria de cerca de 0,7%, o equivalente a aproximadamente R$ 88 bilhões. Para o CLP, esse dado reforça que a discussão sobre a escala 6×1 envolve consequências de longo prazo para a economia brasileira.
Custo do trabalho e reação das empresas
O estudo destaca que, com a redução da jornada sem corte salarial, o custo do trabalho por hora sobe de forma mecânica. Parte das empresas poderia absorver esse aumento por meio de reorganização interna, redução de desperdícios ou adoção de tecnologias. Outras, porém, tenderiam a reagir com compressão de margens, repasse de custos aos preços ou diminuição da escala de produção.
Experiência internacional entra no debate
A nota técnica cita o caso de Portugal como referência. No país europeu, a jornada semanal foi reduzida de 44 para 40 horas, o que resultou em aumento de 9,2% no salário-hora. Em contrapartida, houve queda de cerca de 1,7% no emprego e retração de 3,2% nas vendas, além de uma redução de 10,9% no total de horas trabalhadas.
Um debate ainda em aberto
O estudo do CLP não entra no mérito social da redução da jornada, mas alerta para os possíveis efeitos econômicos caso a mudança seja aprovada sem ajustes estruturais. O tema segue em discussão no Congresso e envolve interesses de trabalhadores, empregadores e formuladores de políticas públicas.
Resumo: Uma nota técnica do Centro de Liderança Pública estima que o fim da escala 6×1 pode eliminar mais de 600 mil empregos formais no Brasil, reduzir a produção e gerar impacto negativo no PIB. Comércio, agropecuária e construção civil estão entre os setores mais afetados, e a experiência internacional é citada como alerta para os efeitos colaterais da redução da jornada sem ajuste salarial.







