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Caso Bolsonaro: o que diz o Estatuto do Idoso sobre direitos e deveres em situações de saúde delicada?

A legislação brasileira prevê garantias específicas para pessoas com mais de 60 anos, especialmente quando há risco clínico e necessidade de cuidados contínuos

Lígia Menezes Por Lígia Menezes
08/01/2026
Em Atualidades
O que diz o Estatuto do Idoso? Foto: Reprodução

O que diz o Estatuto do Idoso? Foto: Reprodução

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Com o avanço da idade, a legislação brasileira passa a oferecer uma série de garantias voltadas à proteção da saúde, da integridade física e da dignidade das pessoas idosas. Em meio a debates recentes envolvendo pedidos de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro por motivos médicos, o Estatuto do Idoso voltou ao centro das discussões, especialmente em casos que envolvem doenças crônicas, risco de quedas e necessidade de monitoramento constante.

O Estatuto, em vigor desde 2003, estabelece que toda pessoa com 60 anos ou mais tem direito à vida, à saúde e à integridade física e psíquica, cabendo ao Estado assegurar condições adequadas para esse cuidado. Na prática, isso inclui acesso a tratamento contínuo, acompanhamento médico regular e ambientes que não ampliem riscos já existentes.

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O que a lei prevê quando a saúde está em risco

O texto legal determina que o idoso tem direito à atenção integral à saúde, por meio do Sistema Único de Saúde, com ações de prevenção, promoção, proteção e recuperação. Em situações de maior vulnerabilidade clínica, a prioridade no atendimento e na adoção de medidas protetivas ganha ainda mais relevância.

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Embora o Estatuto não trate diretamente de regimes de cumprimento de pena, ele é frequentemente citado em análises judiciais quando a condição de saúde do idoso pode ser agravada pelo ambiente em que se encontra. Risco de quedas, dificuldade de locomoção, uso de aparelhos médicos e necessidade de administração rigorosa de medicamentos entram nesse conjunto de fatores avaliados.

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Idade avançada e riscos físicos documentados

Entre os principais pontos de atenção em idosos estão o risco de quedas, considerado uma das maiores causas de internação e complicações nessa faixa etária. Ambientes não adaptados, camas estreitas, iluminação inadequada e circulação limitada aumentam esse risco, sobretudo em pessoas com histórico de cirurgias, perda de massa muscular ou uso de medicamentos que interferem no equilíbrio.

Esse cenário aparece com frequência em avaliações médicas anexadas a pedidos judiciais, como mostram registros recentes que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos. Segundo informações médicas, ele passou por múltiplos procedimentos cirúrgicos nos últimos meses e apresenta um conjunto de fragilidades comuns à idade, agravadas por condições clínicas específicas.

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Monitoramento contínuo e limitações do ambiente institucional

De acordo com especialistas, idosos com múltiplas comorbidades costumam necessitar de monitoramento constante, incluindo controle rigoroso de medicações em horários fixos, fisioterapia diária, acompanhamento nutricional e avaliação frequente de sinais vitais. Em alguns casos, também há necessidade de equipamentos específicos, como aparelhos para tratamento de apneia do sono, que exigem cuidados adicionais durante o repouso noturno.

Em entrevista ao jornal O Globo, o cirurgião Claudio Birolini, responsável por cirurgias recentes do ex-presidente, chamou atenção para os riscos associados ao ambiente em que ele se encontra atualmente. “As quedas são as minhas grandes preocupações neste momento”, afirmou.

Segundo o médico, Bolsonaro dorme em uma cama estreita, utiliza todas as noites um aparelho de CPAP ligado à tomada e já apresentou episódios de tropeço e queda leve, o que amplia o risco em uma pessoa de 70 anos.

“Você pode ver que na maioria dos hospitais, coloca-se uma pulseirinha no braço de um idoso com o alerta de risco de queda”, explicou Birolini, ao detalhar que o ex-presidente apresenta fragilidades motoras típicas da idade, mesmo sem alterações neurológicas identificadas.

Cuidados médicos que exigem estrutura adequada

Ainda segundo o cirurgião, o estado de saúde gastrointestinal do ex-presidente está estável, mas ele requer uma rotina rigorosa de cuidados. Entre as recomendações médicas estão fisioterapia respiratória e motora diária, atividade física regular, alimentação fracionada, acompanhamento nutricional com medição de composição corporal e controle frequente da pressão arterial.

O médico também destacou o uso contínuo de medicamentos como gabapentina, clorpromazina e antidepressivos, que devem ser administrados em horários fixos. Além disso, apontou preocupação com o ganho de peso recente e com a apneia do sono, que apresentou, na última avaliação, cerca de 50 episódios de interrupção respiratória por hora.

Ao ser questionado sobre o local onde Bolsonaro cumpre pena atualmente, Birolini afirmou que não se trata de um ambiente adequado do ponto de vista médico. “Na minha opinião pessoal, o ambiente mais adequado neste momento, frente à situação toda, às demandas e aos riscos, é o domiciliar”, disse.

Outros casos, diferentes decisões

Outros condenados obtiveram autorização para cumprir pena em regime domiciliar a partir de alegações de saúde ou de avaliações judiciais específicas, mesmo em contextos de crimes graves. Entre os exemplos citados está Fernando Collor de Mello, condenado no âmbito da Operação Lava Jato, que teve a prisão convertida em domiciliar após a apresentação de laudos médicos. Outro caso mencionado é o de Paulo Maluf, condenado por falsidade ideológica para fins eleitorais, que também obteve o benefício com base em idade avançada e problemas de saúde relatados.

Há ainda casos de prisão domiciliar que não envolvem condições graves de saúde ou idade avançada, como o caso do chefe do tráfico da favela da Providência, no RJ, conhecido como Dão, que teve autorização para trabalhar durante o dia e retornar à sua residência à noite, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Vale lembrar que o Estatuto do Idoso não assegura automaticamente a concessão de benefícios penais, mas estabelece que o Estado deve evitar submeter pessoas idosas a condições que ampliem riscos à vida e à saúde, especialmente quando esses riscos estão respaldados por laudos médicos e avaliações técnicas.

Resumo:
O Estatuto do Idoso garante prioridade e proteção à saúde de pessoas com mais de 60 anos, especialmente em casos de risco clínico. Avaliações médicas apontam que idosos no sistema criminal, com múltiplas comorbidades, podem necessitar de ambientes adaptados e monitoramento contínuo, o que indicaria como melhor caso, prisão domiciliar.

Leia também:

O que é prisão domiciliar e o que ela impõe a Bolsonaro?

Tags: estatuto do idosoidosoprisão domiciliarrisco à saude
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Lígia Menezes

Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 3 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!

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