Gostar de doce não é apenas uma questão de paladar. Segundo especialistas, o vício em açúcar tem relação direta com o funcionamento do cérebro e com mecanismos ancestrais de sobrevivência. Isso porque o consumo de açúcar estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa.
“Gostamos muito de açúcar porque ele aumenta a dopamina, que traz sensação de felicidade”, explica o nutrólogo Felipe Gazoni ao VivaBem. Além disso, o corpo tende a buscar repetidamente estímulos que ativam esse sistema, como exercícios físicos intensos ou atividades prazerosas. Ou seja, sempre que possível, o cérebro pede mais.
Logo depois do primeiro estímulo, entra em cena a serotonina, ligada ao bem-estar. Por isso, a vontade por doce aparece em diferentes momentos: quando estamos cansados, ansiosos ou até felizes. O açúcar ativa áreas cerebrais ligadas à recompensa e à memória, reforçando o comportamento.
Evolução, cérebro e dopamina: uma relação antiga
De acordo com a nutricionista Andrea Ferrara, da Clínica Bottura, essa preferência vem dos tempos ancestrais. A glicose, principal tipo de açúcar, sempre foi fonte rápida de energia para cérebro e músculos. Assim, nossos antepassados aprenderam a associar o sabor doce a alimento seguro.

No entanto, hoje o cenário mudou. O consumo de açúcar se tornou abundante, mas o cérebro continua agindo como se estivesse em escassez. Ainda que não configure uma dependência química, como álcool ou cigarro, o comportamento repetitivo gera dificuldade de controle.
Memória afetiva e vontade por doce: como reduzir o consumo
Segundo o psiquiatra Eduardo Perin, da Universidade Federal de São Paulo, o açúcar também se conecta às emoções. “Ele ativa o centro de recompensa e áreas ligadas à memória afetiva”, afirma. Portanto, o cérebro passa a buscar o doce como conforto emocional.
Ainda assim, especialistas recomendam moderação e mudanças graduais. Retirar tentações, substituir sobremesas por frutas e reduzir aos poucos o açúcar do café são estratégias eficazes. Além disso, buscar prazer em atividades não alimentares ajuda a quebrar o ciclo.
Resumo: O vício em açúcar está ligado à dopamina, à evolução humana e à memória emocional. A vontade por doce não é fraqueza, mas resposta do cérebro. Com mudanças graduais, é possível reduzir o consumo de açúcar sem radicalismos.
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