A alimentação saudável nunca sai de moda, mas as recomendações oficiais mudam — e costumam gerar debate. Foi exatamente isso que aconteceu com a divulgação da diretriz alimentar dos EUA para o período de 2025 a 2030. O documento trouxe uma imagem que chamou atenção logo de cara: a nova pirâmide alimentar aparece invertida e coloca carnes, queijos e leite no mesmo nível de frutas, verduras e legumes. Enquanto isso, os carboidratos perdem espaço.
A proposta, segundo o texto oficial, é simples: priorizar “comida de verdade”. No entanto, quando olhamos com mais calma, surgem dúvidas importantes sobre como essas orientações dialogam com a ciência atual e com o nosso próprio guia alimentar brasileiro.
Nova pirâmide alimentar: o que mudou no prato?
Em primeiro lugar, a nova versão reforça proteínas em todas as refeições. A diretriz sugere entre 1,2 g e 1,6 g por quilo de peso corporal por dia, com destaque para fontes animais integrais. Além disso, passa a tratar com mais naturalidade alimentos como manteiga, gorduras da carne e laticínios integrais.

Ao mesmo tempo, o texto se torna mais direto ao desencorajar carboidratos refinados. Pães processados, arroz branco e produtos feitos com farinha refinada entram na lista de itens a evitar. Em contrapartida, frutas, legumes e verduras seguem recomendados, agora com uma orientação prática: três porções de vegetais e duas de frutas por dia.
Outro ponto relevante é o açúcar. Embora o limite oficial continue em até 10% das calorias diárias, o documento afirma que nenhuma quantidade de açúcar adicionado é ideal. Outro ponto que chama atenção no novo guia alimentar americano, é o alerta contra adoçantes artificiais, algo pouco comum em diretrizes anteriores.
Diretriz alimentar dos EUA e o foco nos ultraprocessados
Aqui, vale destacar um avanço importante. Diferentemente das versões anteriores, a diretriz alimentar dos EUA faz um alerta explícito contra alimentos altamente processados — o que se aproxima bastante do discurso adotado no Brasil. Snacks industrializados, doces, refeições prontas e produtos com muitos aditivos passam a ser vistos como vilões claros da saúde.
Segundo especialistas, esse posicionamento reflete evidências cada vez mais consistentes sobre a relação entre ultraprocessados e doenças crônicas. Estudos associam esse tipo de alimento ao aumento do risco cardiovascular, obesidade e diabetes. Para saber mais, vale consultar o Guia Alimentar para a População Brasileira, disponível no site do Ministério da Saúde.
Guia alimentar americano x ciência atual: onde surgem os conflitos
Apesar dos avanços, nem tudo está alinhado com o consenso científico. Não há evidência robusta de que toda a população precise consumir altas quantidades de proteína diariamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação geral segue em 0,8 g por quilo de peso, com ajustes apenas para situações específicas, como atividade física intensa ou menopausa.
Além disso, o destaque dado à carne vermelha gera preocupação. Tanto a OMS quanto o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomendam limitar o consumo a até 500 g por semana, devido à associação com câncer colorretal. Fontes vegetais, como feijão, lentilha, grão-de-bico, soja e tofu, oferecem proteínas de qualidade, mais fibras e menos gordura saturada.
Da mesma forma, a permissividade com gorduras saturadas e laticínios integrais contraria posicionamentos da Associação Americana do Coração, que segue defendendo versões com menos gordura para proteger a saúde cardiovascular.
O que fica para nós, brasileiros
No fim das contas, a nova pirâmide alimentar dos EUA traz mensagens importantes, como reduzir ultraprocessados e valorizar alimentos minimamente processados. No entanto, quando analisamos o conjunto, especialistas reforçam que, para a nossa realidade, ainda faz mais sentido seguir o Guia Alimentar para a População Brasileira — equilibrado, baseado em evidências e reconhecido mundialmente.
Resumo: A nova diretriz dos EUA propõe mudanças ousadas, com menos carboidratos refinados e mais proteínas. Apesar de avanços contra ultraprocessados, especialistas apontam conflitos com a ciência atual. Para os brasileiros, o Guia Alimentar nacional segue como a escolha mais segura e equilibrada.
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