Depois de semanas marcadas por confraternizações, horários irregulares e pratos mais fartos, o corpo costuma dar sinais claros de que precisa de ajustes. Inchaço, cansaço e dificuldade para regular o apetite aparecem com frequência nesse período de transição. A boa notícia é que retomar a rotina alimentar tende a ser mais simples do que parece, desde que algumas armadilhas sejam evitadas.
A principal delas é tentar compensar os excessos com atitudes radicais. “O organismo funciona melhor quando encontra regularidade, não quando é submetido a extremos”, explica Renato Lobo, pós-graduado em Nutrologia e Medicina do Esporte e idealizador da clínica Sculpté, em São Paulo. A seguir, ele aponta estratégias práticas para reorganizar a alimentação após as festas.
Comece pelo que sustenta o funcionamento do corpo
Antes de pensar em cardápios elaborados, a atenção deve se voltar ao básico. A ingestão adequada de água auxilia processos metabólicos importantes e favorece a eliminação de substâncias acumuladas ao longo dos dias de excessos. Chás sem açúcar podem entrar como complemento, especialmente para quem sente retenção de líquidos ou desconforto abdominal.
Monte pratos simples e previsíveis
A retomada da rotina pede refeições estruturadas. Verduras, legumes, fontes de proteína magra e carboidratos integrais ajudam a restabelecer o ritmo digestivo e a oferta regular de energia ao longo do dia. Alimentos ultraprocessados tendem a dificultar esse processo, por isso o consumo deve ser reduzido nesse momento.
Restrições severas atrapalham mais do que ajudam
Jejuns prolongados ou a prática de pular refeições costumam ter efeito contrário ao esperado. “Não tente pagar pelos exageros deixando de comer. Isso aumenta a fome ao longo do dia e favorece escolhas impulsivas”, alerta Renato. Segundo ele, o equilíbrio diário é mais eficaz do que medidas extremas concentradas em poucos dias.

A ordem dos alimentos faz diferença
A sequência em que os alimentos são consumidos também interfere na resposta do organismo. “Comece pela salada, depois a proteína e deixe o carboidrato por último. A fibra da salada retarda a digestão, a proteína ativa hormônios da saciedade e o carboidrato é absorvido de forma mais lenta”, explica o médico. Essa combinação contribui para menor variação da glicose no sangue e reduz a vontade de beliscar logo após a refeição.
Movimento leve já cumpre um papel importante
Não é necessário retomar treinos intensos logo após as festas. Atividades simples, como uma caminhada curta, alongamentos ou subir escadas, auxiliam os músculos a utilizarem a glicose circulante e podem melhorar a digestão. O foco, nesse momento, está na regularidade do movimento.
Dormir bem ajuda a regular o apetite
O sono costuma ser negligenciado, mas tem relação direta com a alimentação. Dormir pouco interfere na liberação de hormônios ligados à fome e à saciedade, como leptina e grelina, além de comprometer a disposição para manter hábitos saudáveis ao longo do dia.
Reconhecer a fome real é parte do processo
Após períodos de exagero, diferenciar fome fisiológica de vontade de comer por hábito ou emoção se torna ainda mais importante. A fome verdadeira surge de forma gradual e costuma vir acompanhada de sinais físicos, como queda de energia ou leve desconforto no estômago. “Antes de comer, vale se perguntar se a necessidade é do corpo ou se está ligada ao tédio ou à emoção. Quando essa distinção é difícil, o acompanhamento profissional ajuda a criar estratégias mais conscientes”, orienta Renato.
Resumo:
Voltar à rotina alimentar depois das festas passa por hidratação, refeições estruturadas e regularidade. Medidas extremas costumam atrapalhar mais do que ajudar. Atenção à ordem dos alimentos, ao sono e aos sinais reais de fome favorece um retorno mais estável ao equilíbrio.
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