segunda-feira,27 julho , 2026
Revista Ana Maria
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas
Revista Ana Maria
Sem resultado
Veja todos os resultados

Burnout não escolhe crachá

Quem empreende também adoece

Dr. Daniel Sócrates Por Dr. Daniel Sócrates
01/07/2026 - Atualizado em 27/07/2026
Em Bem-estar e Saúde, Coluna Dr. Daniel Sócrates
Share on FacebookShare on TwitterEnviarEnviar

Antes de entrar no consultório, muitos empreendedores já passaram pela primeira reunião do dia, responderam dezenas de mensagens, renegociaram prazos, pagaram fornecedores, resolveram problemas com funcionários e, muitas vezes, ainda carregam a preocupação de saber se o caixa fechará no fim do mês. Quando chegam em casa, o expediente não termina. O trabalho continua no celular, na cabeça e, frequentemente, até durante o sono.

 

PROPAGANDA

Durante muito tempo, o burnout foi associado quase exclusivamente aos funcionários de grandes empresas. Mas a realidade mostra um cenário diferente. O esgotamento profissional não escolhe cargo, salário ou vínculo empregatício. Ele também atinge quem empreende. E, em alguns aspectos, pode ser ainda mais intenso.

 

PROPAGANDA

Recentemente, uma série de pesquisas realizadas no Reino Unido chamou atenção para esse fenômeno. Um levantamento da Simply Business revelou que mais da metade dos donos de pequenos negócios relatou piora da saúde mental no último ano e cerca de um terço apresentou sintomas compatíveis com burnout. Outro estudo, conduzido pela FreeAgent, mostrou que praticamente metade dos empreendedores percebeu impacto negativo do negócio sobre sua saúde física ou mental. Quando perguntados sobre o que mais contribuía para esse desgaste, a resposta foi praticamente unânime: inflação, aumento dos custos operacionais, carga tributária e insegurança financeira.

 

PROPAGANDA

Esses dados nos ajudam a compreender uma mudança importante na forma como enxergamos a saúde mental no ambiente de trabalho. O adoecimento psicológico nem sempre nasce da incapacidade de lidar com a pressão. Muitas vezes, ele é consequência de uma pressão contínua, intensa e sem espaço para recuperação.

Essa diferença é fundamental.

 

Durante muitos anos, criou-se a ideia de que o empreendedor deveria ser alguém naturalmente resiliente, preparado para enfrentar qualquer desafio. Existe quase uma romantização da figura de quem trabalha sem parar, dorme pouco, assume riscos o tempo todo e faz do próprio negócio sua única prioridade.

Mas o cérebro humano não funciona dessa maneira.

 

Independentemente da profissão, todos nós precisamos alternar momentos de esforço com períodos de recuperação. Quando essa recuperação deixa de existir, o organismo entra em estado permanente de alerta.

É exatamente isso que caracteriza o burnout.

 

A Organização Mundial da Saúde classifica a síndrome como um fenômeno ocupacional decorrente do estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. Não se trata de preguiça, falta de competência ou baixa tolerância à pressão. Trata-se de um desequilíbrio prolongado entre aquilo que o trabalho exige e a capacidade física e emocional que a pessoa tem para responder a essas demandas.

 

No caso do empreendedor, esse desequilíbrio costuma ser ainda mais complexo.

Quem empreende raramente exerce apenas uma função. É diretor financeiro, gestor de pessoas, comercial, marketing, atendimento ao cliente, responsável pela operação e, muitas vezes, também pela execução técnica do serviço. Quando alguma área falha, dificilmente existe outra pessoa para assumir imediatamente aquela responsabilidade.

Além disso, existe um componente emocional que diferencia o empreendedor do empregado: a empresa não é apenas o local onde ele trabalha. Ela representa sua renda, seu patrimônio, seus projetos, sua família e, frequentemente, sua própria identidade.

 

Quando o negócio enfrenta dificuldades, o cérebro não interpreta isso apenas como um problema profissional. Ele percebe uma ameaça à segurança, à estabilidade e ao futuro.

 

Sob esse tipo de ameaça constante, o organismo aumenta a produção de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Em situações agudas, essa resposta é saudável e necessária. O problema surge quando ela se prolonga por semanas ou meses.

 

O excesso crônico de cortisol altera o sono, reduz a capacidade de concentração, prejudica a memória, aumenta a irritabilidade, favorece quadros de ansiedade e depressão, diminui a imunidade e compromete a tomada de decisões. Em outras palavras, exatamente as habilidades que um empreendedor mais precisa para conduzir seu negócio começam a falhar.

 

É um ciclo perverso.

Quanto maior a pressão financeira, mais a pessoa trabalha.

Quanto mais trabalha, menos descansa.

Quanto menos descansa, pior seu funcionamento cerebral.

E quanto pior seu funcionamento cerebral, mais difícil se torna resolver os próprios problemas que geraram aquele estresse.

 

Por isso, combater o burnout não significa simplesmente ensinar técnicas de produtividade ou incentivar frases motivacionais sobre resiliência.

Resiliência não substitui recuperação.

Nenhum cérebro consegue manter desempenho elevado indefinidamente sem períodos adequados de descanso, sono, lazer e convivência social.

 

Da mesma forma, não podemos tratar o burnout apenas como uma questão individual. Existem fatores estruturais que favorecem esse adoecimento: ambientes econômicos instáveis, excesso de burocracia, insegurança financeira, jornadas prolongadas e a cultura de que trabalhar sem parar é sinônimo de sucesso.

Enquanto continuarmos valorizando apenas quem suporta mais pressão, continuaremos produzindo profissionais cada vez mais esgotados.

 

Do ponto de vista clínico, o primeiro passo é reconhecer que o empreendedor também precisa cuidar da própria saúde mental. Muitos só procuram ajuda quando já apresentam crises de ansiedade, insônia persistente, sintomas depressivos ou queda importante no desempenho profissional.

Idealmente, o cuidado deveria começar muito antes.

 

Criar processos que permitam delegar responsabilidades, estabelecer horários reais de descanso, preservar momentos com a família, praticar atividade física, dormir adequadamente e buscar apoio psicológico quando necessário não são sinais de fraqueza. São estratégias de proteção da saúde cerebral.

 

Empresas sustentáveis dependem de líderes saudáveis.

 

Ao mesmo tempo, é importante que a sociedade compreenda que saúde mental também faz parte da agenda econômica. Quando um empreendedor adoece, o impacto ultrapassa sua vida pessoal. Afeta funcionários, clientes, fornecedores e famílias que dependem daquele negócio.

O burnout não escolhe crachá. Ele não diferencia quem é empregado de quem é dono da empresa. O que ele realmente observa é algo muito mais simples: por quanto tempo uma pessoa consegue sustentar uma carga de trabalho superior à sua capacidade de recuperação.

E essa resposta vale para qualquer profissão.

 

A maior mudança que precisemos fazer seja abandonar a ideia de que sucesso exige exaustão. Trabalhar com propósito é saudável. Viver permanentemente em estado de sobrevivência não é.

 

A saúde mental do empreendedor não deve ser vista como um luxo ou um benefício. Ela é um dos pilares para a sustentabilidade dos negócios, da economia e, acima de tudo, das pessoas.

 

Fontes dos dados citados: Simply Business (Reino Unido, 2023), FreeAgent (Reino Unido, 2024) e Burnout Report 2025 / YouGov (Reino Unido). A classificação do burnout como fenômeno ocupacional é da Organização Mundial da Saúde (CID-11).

 

Sobre Dr. Daniel Sócrates https://www.instagram.com/dr.danielsocrates/

 

Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.

 

 

Tags: burnoutempreendedor também tem burnoutestresse no trabalhopsiquiatra corporativotrabalho estressante o que fazer
Dr. Daniel Sócrates

Dr. Daniel Sócrates

Daniel Sócrates (@drdanielsocrates) é médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida. 

CompartilharTweetEnviarCompartilhar

GRUPO PERFIL – Argentina, Brasil, Uruguai, Chile, Estados Unidos, Portugal e Índia

AnaMaria |  AnaMaria Receitas | Aventuras na História | CARAS | CineBuzz | Contigo | Máxima | Perfil Brasil | Recreio | SportBuzz | RSVP

Rede de sites parceiros:

Bons Fluidos | Holywood Forever TV  | Mais Novela | Manequim | Rolling Stone Brasil | Viva Saúde | FFW

PERFIL Brasil Av. Eusébio Matoso, 1.375 10º andar – CEP: 05423-905 | São Paulo, SP

Anuncie no Grupo Perfil +55 (11) 2197-2000 ou [email protected]

Clique aqui e conheça nosso Mídia Kit

Política de privacidade

Categorias

  • AnaMaria Testa
  • Astrologia
  • Atualidades
  • Beleza
  • Bem-estar e Saúde
  • Carreira
  • Casa
  • Comportamento
  • Dieta e Emagrecimento
  • Dinheiro
  • Diversos
  • DIY
  • Educação
  • Famosos
  • Maternidade
  • Moda
  • Programação da TV
  • Relacionamento
  • Tecnologia

Direitos Autorais Grupo Perfil. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Perfil.com Ltda.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas