O golpe do doce tomou conta das redes sociais nos últimos dias, após consumidores relatarem cobranças que chegaram a quase R$ 300 por poucas fatias de doces durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará. A repercussão levou o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), ligado ao Ministério Público do Ceará, a fiscalizar a barraca denunciada.
Os relatos começaram depois que a influenciadora Samiryan Meneses publicou um vídeo no TikTok contando que foi incentivada por uma funcionária a experimentar diversos sabores. Segundo ela, somente após os doces serem cortados e pesados descobriu o valor total da compra, estimado em cerca de R$ 300.
Com a repercussão, outros consumidores compartilharam experiências semelhantes e passaram a chamar a situação de golpe do doce. A fiscalização constatou que os preços não estavam apresentados de forma suficientemente clara e que os produtos não tinham indicação de tamanho ou peso, o que dificultava ao consumidor estimar quanto pagaria.
O que motivou a fiscalização do suposto golpe do doce?
De acordo com o Ministério Público do Ceará, a equipe identificou falhas na forma como as informações eram apresentadas ao público.
Entre os principais pontos observados estavam:
- Preços pouco claros: embora houvesse indicação do valor por 100 gramas, o consumidor não conseguia visualizar facilmente quanto representava esse peso em cada pedaço.
- Ausência de referência de tamanho: sem uma medida aproximada, ficava difícil calcular o custo antes do corte.
- Compra por estimativa: muitos clientes escolhiam o doce apenas “no olhômetro”, descobrindo o preço final somente depois da pesagem.
O promotor de Justiça Thiago Marques explicou que, em situações como essa, o consumidor não é obrigado a concluir a compra quando percebe inconsistências ou falta de clareza nas informações oferecidas.
@samiryan_ Fui no 1º dia da Expocrato e sem querer vivi o meme da barraca de doce antes dele existir. Kkkkkkk🤡 #expocrato ♬ الصوت الأصلي – •
O consumidor pode desistir da compra depois que o produto é pesado?
Segundo o representante do Ministério Público, sim. Em compras presenciais, o consumidor pode recusar a aquisição quando identifica dúvidas relevantes sobre o preço ou percebe que não recebeu informações suficientes antes da pesagem.
Esse entendimento ganha importância principalmente em produtos vendidos por peso, como queijos, carnes, castanhas e doces artesanais. Quanto mais transparente for a informação sobre quantidade e preço, menor o risco de surpresas no caixa.
O que disse a doceria após as denúncias?
O proprietário da Doceria de Leites, identificado como Fausto, negou que exista qualquer fraude. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que os funcionários informam que o doce custa R$ 19,90 a cada 100 gramas (R$ 199 o quilo) e que o cliente escolhe livremente o tamanho da fatia.
Segundo ele, não é possível cortar exatamente 100 gramas de um doce grande antes da pesagem. Fausto também afirmou que, após o corte, os pedaços devolvidos não podem ser revendidos nem oferecidos como degustação, seguindo orientações da Vigilância Sanitária.
Casos como o golpe do doce reforçam a importância de observar atentamente produtos vendidos por peso e esclarecer todas as dúvidas antes da pesagem. Informações claras sobre preço, quantidade e forma de cobrança ajudam o consumidor a tomar uma decisão consciente e evitam situações desagradáveis durante a compra.
Resumo: O golpe do doce ganhou repercussão após consumidores relatarem cobranças elevadas por doces vendidos por peso durante a Expocrato. A situação levou o Decon a fiscalizar a barraca e apontar falta de clareza nas informações sobre preço e quantidade. O Ministério Público destacou que o consumidor pode desistir da compra diante de inconsistências. Já o proprietário da doceria negou irregularidades e afirmou que os preços são informados antes da venda.
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