Depois da febre do consumo elevado de proteínas, as fibras passaram a ocupar lugar de destaque nas conversas sobre alimentação saudável. A tendência ganhou até termo próprio: o fibermaxxing incentiva aumentar drasticamente o consumo desse nutriente. Embora os benefícios sejam reconhecidos pela ciência, especialistas alertam que o exagero pode causar desconfortos e até prejudicar a absorção de nutrientes importantes.
A nutricionista Renata Juliana da Silva, professora da ETEC Uirapuru – Centro Paula Souza e vice-presidente da APAN, avalia que a tendência chama atenção para um nutriente consumido abaixo do ideal pelos brasileiros, mas destaca que equilíbrio continua sendo a palavra-chave.
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018), do IBGE, a população brasileira consome cerca de 15 gramas de fibras por dia, enquanto a recomendação para adultos varia entre 25 e 30 gramas diárias. Para alcançar essa meta, especialistas orientam priorizar alimentos naturais em vez de buscar soluções radicais.
O que acontece quando o consumo de fibras é exagerado?
Embora sejam fundamentais para o organismo, as fibras precisam estar acompanhadas de boa hidratação. O médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, explica que a falta de água pode provocar o efeito contrário ao esperado.
Sem líquidos suficientes, as fibras endurecem o bolo fecal, favorecendo a constipação. Além disso, o excesso pode causar:
- Gases e inchaço abdominal: resultado da fermentação intestinal aumentada.
- Dores e desconforto: especialmente quando o aumento acontece de forma repentina.
- Redução da absorção de minerais: há indícios de que o excesso interfira no aproveitamento de cálcio e ferro pelo organismo.
Por isso, especialistas reforçam que aumentar gradualmente o consumo e beber bastante água faz toda a diferença.
Quais alimentos são ricos em fibras?
A melhor forma de aumentar a ingestão do nutriente continua sendo apostar em uma alimentação variada. As fibras aparecem naturalmente em diversos alimentos do dia a dia.
Entre as principais fontes estão:
- Frutas e hortaliças: fornecem vitaminas, minerais e diferentes tipos de fibras.
- Grãos integrais: arroz integral, aveia, trigo e centeio ajudam no funcionamento intestinal.
- Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico também favorecem a saciedade.
- Sementes e castanhas: chia, linhaça e oleaginosas complementam a alimentação com nutrientes importantes.
Os especialistas também recomendam atenção aos produtos industrializados enriquecidos com fibras. Apesar de poderem ajudar em alguns casos, a presença do nutriente não transforma automaticamente um alimento ultraprocessado em uma opção saudável.

As fibras realmente fazem diferença para a saúde?
As pesquisas mais recentes mostram que sim. Hoje, as fibras são consideradas nutrientes funcionais por seus efeitos sobre a saúde intestinal, metabólica e cardiovascular.
Além de melhorar o trânsito intestinal, elas ajudam no controle da glicemia, do colesterol e estimulam a produção dos chamados ácidos graxos de cadeia curta, substâncias produzidas pela microbiota intestinal que fortalecem a barreira do intestino e ajudam a reduzir processos inflamatórios.
Mesmo com tantos benefícios, a suplementação deve ser feita apenas com orientação médica ou nutricional, especialmente por idosos, gestantes e pessoas com condições específicas de saúde. Para a maioria das pessoas, uma alimentação equilibrada continua sendo a estratégia mais segura e eficiente.
Resumo: As fibras ajudam no funcionamento do intestino, na saciedade e no controle da glicemia e do colesterol. A tendência do fibermaxxing incentiva o aumento do consumo, mas especialistas alertam que exageros podem causar constipação, gases e reduzir a absorção de minerais. A recomendação é consumir entre 25 e 30 gramas por dia, priorizando alimentos naturais e mantendo uma boa hidratação.
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