Para milhares de brasileiros, o Instagram deixou de ser apenas uma rede social e se transformou em uma importante ferramenta de trabalho, divulgação de serviços e geração de renda. Por isso, quando um perfil é suspenso ou desativado, o impacto pode ir muito além da perda temporária de acesso à plataforma.
Nos últimos meses, aumentaram os relatos de usuários que afirmam ter tido contas bloqueadas sem receber informações claras sobre o motivo da penalização. A dificuldade para obter suporte junto à Meta, empresa responsável pelo Instagram, tem levado muitos deles a buscar alternativas jurídicas para recuperar os perfis e minimizar os prejuízos causados pela interrupção das atividades online.
Segundo o advogado Alexandre Casciano, especialista em direito digital, a primeira medida deve ser tentar compreender a razão da suspensão diretamente com a plataforma. “A primeira providência é buscar contato com a plataforma para entender qual foi a razão do bloqueio. O problema é que, em muitos casos, o usuário não recebe informações claras ou sequer consegue um canal efetivo de atendimento para resolver a situação”, explica.
Quando não há justificativa adequada para a suspensão, o caminho judicial pode ser uma alternativa. “Qualquer conta que tenha sido bloqueada indevidamente pode ser objeto de um pedido de urgência na Justiça. Dependendo das circunstâncias, principalmente quando existe impacto profissional ou financeiro, é possível obter uma decisão rápida para restabelecer o acesso ao perfil”, afirma Casciano.
Usuários sentem-se lesados com interrupção de serviços

Um dos casos acompanhados pelo advogado Alexandre Casciano envolve o adestrador de cães Glauco Lima, responsável pelo perfil @adestradorglaucolima, conhecido por publicar conteúdos relacionados ao comportamento animal, cães de assistência e cães de alerta médico. Segundo ele, a conta foi removida duas vezes em um curto período, justamente quando o alcance das publicações estava em crescimento acelerado. “Minha conta estava com quase 16 milhões de visualizações quando foi desativada pela primeira vez. Fiz a apelação dentro da própria plataforma e consegui recuperar o acesso. Porém, cerca de uma semana depois, a conta foi suspensa novamente”, relata.
Antes de procurar auxílio jurídico, Glauco afirma ter tentado resolver o problema diretamente com a empresa e por outros meios especializados. “Tentei contato com a Meta várias vezes pelos canais disponíveis e não tive sucesso. Também procurei profissionais que trabalham especificamente com desbloqueio de contas, mas não consegui resolver o problema”, conta.
Para o jurista, o caso chamou atenção pela falta de informações sobre a suposta irregularidade cometida. “Houve um bloqueio repentino e sem qualquer explicação clara por parte da empresa. O usuário foi simplesmente informado de que deveria buscar assistência jurídica para resolver a situação. Diante desse cenário, adotamos as medidas necessárias para demonstrar a ausência de irregularidades e garantir a recuperação da conta”, explica.
Após a adoção das medidas legais, o perfil voltou a funcionar em algumas horas. O criador de conteúdo garante que não alterou a forma como produzia suas publicações antes da suspensão. “Meu conteúdo continuava o mesmo de sempre, mostrando a conexão entre cães e seres humanos, além do trabalho com cães de assistência e cães de alerta médico. Não fiz nada fora do comum que justificasse o bloqueio”, diz.
Situação semelhante também foi enfrentada pelo empresário Edson Luis de Souza, fundador da Agência Anjo Meu. Atuando há mais de três décadas no segmento de relacionamentos, ele afirma que os bloqueios recorrentes têm causado impactos diretos na credibilidade construída ao longo dos anos. “É complicado porque quando tiram uma conta nossa do ar descredibilizam nossa empresa e um trabalho que demoramos anos para construir, ainda mais eu que atuo promovendo encontros. Eu sei da seriedade de mexer com o sonho das pessoas e quando minha empresa tem um dos perfis cancelado do nada, me sinto lesado”, confessa.
Diante da frequência dos problemas, o empresário decidiu investir em suporte especializado para tentar reduzir os riscos. “Estamos na tentativa mas percebo que a Meta faz isso diversas vezes sem critério algum e quando tentamos contato, a resposta padrão que nos é dada é que fugimos da política da empresa mas não nos mostram motivos reais, e isso é frustrante. Já é complexo empreender no Brasil e sobreviver no digital também virou um outro desafio em nossas vidas, infelizmente”, comenta Edson.
Ele também demonstra preocupação com o cenário atual enfrentado por quem depende das plataformas digitais para manter seus negócios ativos. “Tenho a empresa há 35 anos, conta no insta há 13 anos e nunca sofri como venho sofrendo há 3 meses. Sempre segui todas as diretrizes de publicação e inclusive sou anunciante assíduo da plataforma. Então não dá para entender, tenho amigos que dizem que só estão liberando perfis mediante liminar e tem gente que nem assim conseguiu recuperar”, desabafa.
De acordo com Casciano, a rapidez na adoção das medidas pode ser determinante para minimizar os prejuízos. “Em muitos casos conseguimos uma solução inicial em cerca de 48 horas, especialmente quando existe urgência comprovada. Cada situação possui suas particularidades, mas a atuação rápida costuma fazer diferença”, destaca.
