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Derrota na Copa do Mundo mexe com emoções e expõe pessimismo nas redes 

A eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo gerou descrença e mostrou como emoções intensas alteram julgamentos 

Jéssica Batista Por Jéssica Batista
12/07/2026
Em Comportamento
Copa do Mundo

Moradores decoram a rua para a Copa do Mundo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A eliminação precoce da Seleção brasileira na Copa do Mundo não encerrou apenas uma campanha esportiva. Para milhões de torcedores, a derrota também atingiu memórias, expectativas e um sentimento de pertencimento que acompanha o futebol no país há gerações.

Segundo reportagem da BBC News Brasil, um levantamento da Orbit Data Science analisou 7.855 conversas no X, Instagram e TikTok após a derrota para a Noruega. Entre as publicações, 41% demonstravam descrença total na possibilidade de o Brasil voltar a conquistar o torneio.

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Outros 12% mantinham um pessimismo um pouco menor, mas ainda duvidavam que a geração atual veria o hexacampeonato. Apenas 17% acreditavam em uma vitória já em 2030. Os números ajudam a dimensionar a frustração coletiva que tomou conta das redes sociais logo depois do jogo.

Por que a derrota na Copa do Mundo parece definitiva?

O psicólogo Sérgio Freire, professor da Universidade Federal do Amazonas, explica que reações como “nunca mais vamos ganhar” misturam pensamento catastrófico e pensamento dicotômico. É a lógica do “tudo ou nada”: ou vem o hexa, ou o futuro parece perdido.

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Lucas Freire, autor do livro Playfulness: Trilhas para uma vida resiliente e criativa, afirma que o cérebro frustrado tende a prolongar a dor do presente. Na prática, a emoção do momento ganha tamanho suficiente para parecer uma previsão segura sobre os próximos anos.

A neuropsicóloga Maria Carolina Fontana Antunes, pesquisadora da Universidade Paris Cité, compara as emoções a óculos que alteram a leitura da realidade. Depois de uma derrota marcante, o viés de negatividade faz o torcedor superestimar os problemas e imaginar que nada mudará.

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Copa do Mundo
Torcedores assistem ao jogo Brasil x Japão. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Como as redes sociais aumentam a frustração coletiva?

As redes sociais favorecem falas mais extremas porque conteúdos carregados de emoção costumam chamar mais atenção. Sérgio observa que uma reação exagerada circula com mais força do que uma análise ponderada, o que aumenta a sensação de que todos perderam a esperança.

Carolina, líder de pesquisas e monitoramento da Orbit, chama esse fenômeno de “inflamação emocional do brasileiro”. Segundo ela, o comportamento aparece em discussões sobre esporte, eleição, reality show e novela: o público escolhe um lado e descarrega ali a intensidade acumulada no cotidiano.

O jejum desde o título de 2002 também alimenta a frustração coletiva. Ainda assim, Valle acredita que o pessimismo perderá força com o tempo. Quando a próxima competição se aproximar, a Seleção brasileira deverá voltar a despertar esperança, ainda que acompanhada de cautela.

O que a derrota pode ensinar sobre frustração?

Para os especialistas ouvidos pela BBC, o esporte oferece um espaço relativamente protegido para aprender a perder. A dor é verdadeira, mas a rotina continua, permitindo que adultos e crianças reconheçam a emoção sem transformar o resultado em uma certeza sobre o futuro.

Maria Carolina recomenda evitar conclusões definitivas quando a emoção ainda está muito intensa. A mesma regra vale fora do futebol: decisões sobre trabalho, relações e projetos pedem tempo, especialmente depois de uma decepção.

A Copa do Mundo mostra, mais uma vez, que o futebol funciona como espelho social. Ele revela como o brasileiro cria vínculos, compartilha emoções e aprende que quedas fazem parte de qualquer trajetória.

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo provocou pessimismo e reações intensas nas redes sociais. Especialistas relacionam o comportamento ao pensamento catastrófico, ao imediatismo e à amplificação emocional. A derrota também pode ajudar adultos e crianças a aprender a lidar com perdas.

Leia também:

Quando a conexão parece real, mas não é: o que as relações parasociais revelam sobre nós

Tags: Copa do MundoPsicologiaSeleção Brasileira
Jéssica Batista

Jéssica Batista

Jéssica Batista é jornalista formada pela Universidade Cidade de São Paulo. Apaixonada por séries, cinema e por contar boas histórias, em AnaMaria escreve sobre comportamento, gastronomia e atualidades.

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