Quando pensamos na saúde dos cães, geralmente lembramos de vacinação, alimentação e passeios. Mas existe um aspecto que também merece atenção: a saúde do coração. As doenças cardíacas estão entre os problemas mais frequentes na rotina veterinária e, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa, sem apresentar sintomas evidentes nas fases iniciais.
Segundo Kauê Ribeiro, médico-veterinário da Vetnil, cerca de 10% dos atendimentos clínicos de pequenos animais estão relacionados a cardiopatias. Acompanhar o comportamento do pet e manter as consultas em dia faz toda a diferença para identificar alterações precocemente. “O responsável convive diariamente com o pet e costuma ser o primeiro a notar mudanças de comportamento. Quando há alterações como cansaço excessivo, tosse frequente ou dificuldade para se exercitar, é importante procurar avaliação veterinária para investigar a causa”, explica.
Nem sempre os sinais aparecem logo
Uma das maiores dificuldades em relação às doenças cardíacas é que muitos cães continuam levando uma vida aparentemente normal durante bastante tempo. Mudanças discretas, como menor disposição para brincar, respiração mais acelerada ou cansaço após atividades simples, podem passar despercebidas. Por isso, os exames de rotina têm um papel fundamental no diagnóstico precoce.
“Muitas cardiopatias são identificadas durante exames de rotina, antes mesmo de o responsável perceber algum sintoma. Um sinal clássico auscultado pelo veterinário é o sopro, que indica que o cão apresenta alguma alteração valvar que precisa ser investigada”, afirma Kauê.
Idade aumenta o risco, mas não é a única causa
Embora os problemas cardíacos sejam mais frequentes em animais idosos, eles podem surgir em qualquer fase da vida. Algumas raças possuem predisposição genética e existem ainda doenças congênitas, presentes desde o nascimento. “É verdade que muitos casos aparecem com o avanço da idade, mas isso não significa que animais jovens estejam livres de alterações cardíacas. Por isso, o acompanhamento veterinário ao longo de toda a vida é tão importante”, destaca o especialista.
Exercício continua sendo importante
Ao receber um diagnóstico de cardiopatia, muitos tutores acreditam que o animal precisa abandonar completamente as atividades físicas. Mas isso nem sempre é verdade. Em muitos casos, caminhadas e exercícios leves continuam fazendo parte da rotina, desde que respeitando as orientações do médico-veterinário. “O exercício moderado pode fazer parte da rotina de muitos cães cardiopatas. Inclusive, é uma excelente forma de auxiliar na manutenção do peso e oferecer bem-estar”, explica Kauê.
Tratamento
Graças aos avanços da medicina veterinária, muitos cães diagnosticados com doenças cardíacas conseguem viver por anos com conforto e qualidade de vida. O segredo está no diagnóstico precoce, no acompanhamento regular e na adesão ao tratamento indicado. “Hoje temos mais recursos para acompanhar e manejar essas condições. Quando o diagnóstico acontece cedo e o tratamento é seguido corretamente, muitos animais continuam ativos e com boa qualidade de vida”, ressalta o veterinário.
Atenção aos sinais do dia a dia
A observação do tutor continua sendo uma das ferramentas mais importantes para detectar alterações. Mudanças aparentemente simples podem indicar que algo não vai bem. Respiração ofegante em repouso, tosse frequente, desmaios, dificuldade para caminhar ou cansaço excessivo merecem investigação. “Consultas periódicas e atenção aos sinais do animal ajudam a identificar alterações precocemente e permitem que o pet receba o acompanhamento adequado para viver com mais conforto e qualidade de vida”, conclui.
5 sinais que merecem atenção
Nem toda alteração significa um problema cardíaco, mas alguns sintomas justificam uma avaliação veterinária:
- Cansaço exagerado após brincadeiras ou passeios;
- Tosse frequente, especialmente durante a noite;
- Respiração acelerada mesmo em repouso;
- Desmaios ou episódios de fraqueza repentina;
- Menor disposição para atividades que antes eram habituais.

Raças que exigem acompanhamento mais próximo
Algumas raças apresentam maior predisposição para desenvolver doenças cardíacas ao longo da vida:
- Cavalier King Charles Spaniel
- Poodle
- Dachshund
- Yorkshire Terrier
- Boxer
- Doberman
- Schnauzer
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1526, de 19 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
