Por Dr. Leandro de Paula Gregório – Cirurgião Plástico, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Uma das queixas mais comuns que vejo no consultório começa com uma frase parecida: “Doutor, eu treino, me alimento bem, perdi peso, mas minha barriga não muda”.
Existe uma ideia muito difundida de que qualquer alteração corporal pode ser resolvida apenas com disciplina. Embora a prática regular de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada sejam fundamentais para a saúde e para a composição corporal, existem algumas mudanças na região abdominal que não dependem apenas de esforço.
Nem toda barriga é consequência de falta de treino
O abdome é formado por diferentes estruturas: músculos, gordura e pele. Cada uma delas responde de uma maneira. O exercício físico consegue fortalecer a musculatura e ajudar na redução de gordura corporal, mas ele não consegue remover excesso de pele ou corrigir algumas alterações anatômicas.
Por isso, existem pessoas com baixo percentual de gordura, rotina intensa de academia e, mesmo assim, que continuam incomodadas com o contorno abdominal.
Quando o problema da barriga é a pele
Após uma grande perda de peso ou depois da gestação, é comum ocorrer uma distensão importante da pele abdominal. Em alguns casos, essa pele perde parte da capacidade de retração.
O colágeno, a genética, a idade, o tempo em que aquela pele permaneceu esticada e a quantidade de peso perdida influenciam diretamente nesse processo.
A pessoa pode emagrecer, fortalecer a musculatura e melhorar muito sua saúde, mas a sobra de pele pode permanecer.
Esse é um ponto importante porque muitos pacientes chegam ao consultório frustrados, acreditando que não fizeram o suficiente.
Diástase abdominal: quando não é apenas gordura
Outra condição frequente, especialmente após a gravidez, é a diástase dos músculos retos abdominais.
Durante a gestação, os músculos do abdome podem se afastar para permitir o crescimento do bebê. Em algumas mulheres, esse afastamento permanece mesmo após o parto.
Isso pode causar a aparência de uma barriga mais projetada, mesmo em pessoas magras.
Nesses casos, fazer centenas de abdominais não necessariamente vai resolver, porque não se trata apenas de fortalecer o músculo, mas de uma alteração estrutural da parede abdominal que precisa ser avaliada individualmente.
Gordura localizada resistente também existe
Outro ponto que gera muita dúvida é a gordura localizada.
Nosso corpo não perde gordura exatamente onde desejamos. Uma pessoa pode emagrecer no rosto, braços e pernas e ainda manter acúmulo em determinadas regiões, como abdome e cintura.
Isso acontece porque fatores hormonais e genéticos influenciam a forma como cada organismo armazena gordura.
A cirurgia plástica não substitui emagrecimento, alimentação saudável ou atividade física. Ela atua principalmente no contorno corporal quando existem alterações que os hábitos saudáveis não conseguem corrigir completamente.
Cirurgia não é falta de disciplina
Um dos maiores mitos é acreditar que quem procura uma cirurgia plástica está escolhendo um caminho mais fácil.
Na verdade, os melhores resultados geralmente acontecem justamente em pacientes que já cuidam do corpo, têm hábitos saudáveis e procuram corrigir algo específico.
Academia e cirurgia não são concorrentes. São ferramentas diferentes, com objetivos diferentes.
O exercício constrói saúde, melhora força, metabolismo, circulação e qualidade de vida. A cirurgia plástica, quando bem indicada, pode tratar questões estruturais e de contorno corporal.
O objetivo nunca deve ser buscar um corpo perfeito, mas entender o próprio corpo e escolher, com segurança e orientação médica, o melhor caminho para cada caso.
