Em ano de Copa do Mundo, as bets aparecem entre um jogo e outro como se fossem parte natural da torcida. Mas, para o neurocirurgião Kleber Duarte, o avanço das apostas digitais exige atenção: elas transformaram os smartphones em verdadeiros “cassinos portáteis”.
O alerta não está no ato isolado de jogar, mas na perda de controle. Quando a pessoa usa dinheiro essencial, tenta recuperar prejuízos ou passa a esconder o hábito por vergonha, a diversão deixa de ser inofensiva e começa a afetar saúde, autonomia e convivência.
“A propaganda bombardeia os consumidores, com jogadores e até locutores dos jogos vendendo estilo de vida e apostas durante as partidas”, afirma o especialista.
Por que as bets preocupam mais durante a Copa do Mundo?
A Copa do Mundo reúne emoção, torcida, publicidade e promessa de ganho rápido. Por isso, o convite para apostar pode aparecer no intervalo da partida, nas redes sociais e até nas conversas sobre o placar. Para quem está vulnerável, essa combinação pesa.
Na terceira idade, o risco merece ainda mais cuidado. A aposentadoria, a redução da renda ativa, o aumento do tempo livre e as mudanças no papel social podem favorecer a busca por novas formas de ocupação e lazer.
Além disso, perdas afetivas, isolamento social, sintomas de ansiedade ou tristeza podem fazer com que as apostas pareçam uma companhia. “As apostas, especialmente as digitais, passam a funcionar não apenas como entretenimento, mas como tentativa de compensação emocional ou financeira”, explica o neurocirurgião.
Diferente de jogos presenciais, como o bingo, que muitas vezes envolvem convivência, as apostas pelo celular tendem a aumentar o isolamento. A pessoa joga sozinha, por longos períodos, e pode demorar a perceber que perdeu o controle.

Quais sinais mostram que as apostas passaram do limite?
A família não precisa vigiar cada gesto, mas deve observar mudanças de comportamento. Alguns sinais ajudam a perceber quando as bets já causam impacto na rotina:
- Gastos fora do padrão: pequenas apostas repetidas podem comprometer contas, remédios, alimentação e economias.
- Tentativa de recuperar perdas: a pessoa aposta de novo para tentar “consertar” o prejuízo anterior.
- Segredo e vergonha: o hábito passa a ser escondido, e conversas sobre dinheiro geram irritação.
- Isolamento: a pessoa reduz encontros, abandona atividades e passa mais tempo no celular.
“O ato de jogar, em si, não deve ser considerado uma patologia”, pondera Kleber. O problema aparece quando há ausência de controle, uso de recursos essenciais e impacto negativo na vida pessoal, financeira e social.
As consequências podem atingir várias áreas ao mesmo tempo. No campo emocional, o especialista cita associação com depressão, ansiedade, estresse crônico e isolamento social. No lado financeiro, surgem dívidas, perda de autonomia e comprometimento de economias acumuladas ao longo da vida.
Como a família pode ajudar sem aumentar a culpa?
O primeiro passo é abrir uma conversa calma. Acusações costumam aumentar a resistência e a vergonha. Em vez disso, vale perguntar como a pessoa se sente, se percebeu gastos maiores e se aceita ajuda para organizar limites.
Também é importante propor alternativas reais de convivência. Caminhadas, encontros com amigos, cursos, atividades em grupo e momentos em família ajudam a substituir o tempo solitário no celular por vínculos mais saudáveis.
Quando há sofrimento, dívidas ou perda de autonomia, a busca por apoio profissional faz diferença. Segundo o especialista, estratégias individuais, suporte familiar, terapia cognitivo-comportamental e grupos de apoio estão entre os caminhos possíveis.
As bets não devem ocupar o lugar da torcida, da convivência e do prazer de assistir aos jogos. Durante a Copa do Mundo, o cuidado começa com informação, limites claros e presença familiar.
Resumo: Bets ganham força em períodos de grande emoção esportiva, como a Copa do Mundo. A exposição constante às apostas digitais pode afetar idosos em situação de isolamento. Perda de controle, segredo, dívidas e afastamento social são sinais de alerta. Famílias podem ajudar com conversa calma, limites combinados e apoio profissional quando necessário.
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