A busca do Brasil pelo hexa reacende uma emoção que muita gente conhece bem fora do futebol: a vontade de realizar um sonho, mas também o peso de sentir que não pode falhar. Segundo o psiquiatra Guido Boabaid May, esse movimento ajuda a explicar a ansiedade de desempenho, quando a meta deixa de inspirar e começa a paralisar.
O especialista, nome à frente da GnTech, chama esse estado, de forma informal, de síndrome do hexa. A expressão não é um diagnóstico médico, mas traduz uma situação comum: a pessoa passa a agir por medo de decepcionar, de errar ou de não corresponder às expectativas.
“O hexa, para o torcedor, é um sonho, mas, quando o sonho vira obrigação absoluta, ele pode pesar mais do que mover”, afirma Guido. Na prática, a pressão por resultados pode aparecer no trabalho, nos estudos, na maternidade, nas relações e até em planos pessoais que antes davam prazer.
O que é ansiedade de desempenho?
A ansiedade de desempenho acontece quando a preocupação com o resultado ocupa mais espaço do que a execução. Em vez de pensar no próximo passo, a pessoa passa a imaginar o julgamento, a vergonha, o fracasso ou a cobrança dos outros.
Nesses casos, o corpo e a mente entram em alerta antes mesmo de começar. O psiquiatra explica que não se trata de falta de capacidade. Muitas vezes, o problema está justamente no excesso de cobrança colocado sobre uma meta importante.
Por isso, o especialista orienta trazer o objetivo de volta para um tamanho possível. Perguntas simples ajudam nesse processo: “O que depende de mim hoje?”, “Qual é o próximo passo possível?” e “O que estou tentando provar, e para quem?”.
Quais sinais mostram que o sonho virou cobrança?
A síndrome do hexa pode aparecer quando a pessoa deixa de agir por desejo e passa a funcionar sob ameaça interna. Ou seja, o sonho continua ali, mas vem acompanhado de medo, culpa e autocrítica.
Alguns sinais merecem atenção:
- Pensar mais em não falhar do que em fazer bem: a mente foca nas consequências negativas, e isso prejudica a concentração.
- Sentir o corpo em alerta o tempo todo: tensão muscular, irritabilidade, sono ruim e inquietação indicam que a ansiedade passou do limite.
- Perder o prazer no processo: a meta vira obrigação, e a pessoa já não reconhece sentido no caminho.
- Travar em tarefas conhecidas: a pressão por resultados pode desorganizar habilidades que antes pareciam naturais.
- Adiar ou se sabotar: procrastinação e fuga surgem quando o sonho passa a pesar demais.
Segundo o psiquiatra, buscar ajuda faz diferença quando a ansiedade interfere no sono, no trabalho, nos vínculos, na rotina ou na capacidade de decidir.

Como aliviar a pressão por resultados?
Para Guido, nem todo sonho precisa virar sofrimento. A ansiedade de desempenho costuma diminuir quando a pessoa troca a cobrança absoluta por metas mais manejáveis, com autonomia e progressão concreta.
Além disso, a terapia pode ajudar a reorganizar pensamentos, reduzir a autocrítica e construir uma relação mais saudável com o erro. O especialista cita abordagens como a terapia cognitivo-comportamental entre as estratégias usadas no cuidado dos transtornos de ansiedade.
Em alguns casos, quando a pessoa já faz tratamento medicamentoso e enfrenta efeitos adversos ou pouca resposta, o teste farmacogenético pode entrar na conversa com o psiquiatra. O especialista reforça, porém, que esse recurso não diagnostica ansiedade, não substitui avaliação clínica e não resolve sozinho o sofrimento psíquico.
Resumo: Ansiedade de desempenho surge quando uma meta importante vira cobrança constante. A pressão por resultados pode afetar sono, foco, prazer e tomada de decisão. A chamada síndrome do hexa traduz, de forma informal, o medo de falhar diante de grandes expectativas. Metas mais manejáveis, apoio psicológico e cuidado clínico ajudam a reduzir o peso emocional. Sonhos podem caminhar com preparo e compromisso, sem transformar o erro em ameaça.
Leia também:
Opinião nas redes sociais: 5 posts já podem influenciar o que você acredita
