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Existe consumo seguro? Os limites e riscos do álcool

Entenda os diferentes níveis de risco por trás do uso de álcool e saiba quando o hábito se torna nocivo

Renato Karakhanian Por Renato Karakhanian
27/06/2026
Em Momento Saúde com o Dr. Renato Karakhanian
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Sempre que acontecem grandes campeonatos de futebol, o consumo social e recreativo de bebidas alcoólicas torna-se mais frequente em comemorações, festas e reuniões para assistir aos jogos. Não por acaso, as marcas do setor investem pesado em publicidade e eventos nessa época, associando seus produtos ao espetáculo esportivo e estimulando esse hábito. 

O álcool etílico, substância presente nas bebidas alcoólicas, quando ingerido, interfere na liberação de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer. A euforia, a desinibição e a alegria são efeitos esperados de seu consumo, mas podem ser perigosos quando a ingestão passa, equivocadamente, a servir como uma fuga para o alívio do estresse, da tristeza e da ansiedade.

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Nesse contexto, com o passar do tempo, a ingestão crônica tende a reduzir os efeitos prazerosos inicialmente percebidos, transformando-se em um hábito nocivo, causador de danos à saúde física e mental. Nesses casos, há o aumento da tolerância (necessidade de ingerir doses cada vez maiores) e até mesmo a evolução para quadros de dependência, classificada como transtorno psiquiátrico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool pode contribuir para mais de 200 doenças e agravos à saúde relacionados ao seu consumo, incluindo doenças hepáticas, arritmias, acidente vascular cerebral e infartos. A substância é classificada como carcinógeno do Grupo 1 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), o nível mais elevado de evidência para risco de câncer, especialmente de fígado, boca, esôfago, intestino e mama.

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Ainda com relação aos danos físicos, os casos de traumas, como quedas, episódios de violência e ocorrência de acidentes, sobretudo de trânsito, estão fortemente associados a padrões de consumo abusivo, o que justifica o fato de a bebida alcoólica ser considerada um dos principais fatores de risco para morte prematura e incapacidade, especialmente na população masculina.

Além dos danos orgânicos e físicos, o uso abusivo dessa substância psicoativa não limita seus prejuízos ao corpo e afeta com frequência a saúde mental e as relações sociais. Seus efeitos favorecem a piora do humor, o aumento da ansiedade e distúrbios do sono, podendo comprometer as relações familiares e afetivas e o desempenho no trabalho, além de agravar quadros de ansiedade e depressão.

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Culturalmente, por ser legalizado e tolerado, o álcool tem seus efeitos deletérios negligenciados, os quais podem não ser percebidos em um primeiro momento. Por muito tempo, difundiu-se a ideia de que o consumo moderado seria inofensivo ou até benéfico. Contudo, a OMS afirma que não existe nível de consumo seguro. Sendo assim, reconhecer os diferentes tipos e padrões de consumo é fundamental para a autoconscientização e, principalmente, saber o momento de procurar de ajuda.

Tipos e padrões de consumo

Leve ou de baixo risco: consumo esporádico e ocasional, geralmente em pequenas quantidades, sem prejuízos imediatos evidentes. No entanto, essa classificação não elimina possíveis riscos associados à ingestão ao longo do tempo;

Moderado: considerado até 1 dose* por dia para mulheres (cerca de 14 g de álcool) e até 2 doses por dia para homens (cerca de 28 g de álcool), quando a pessoa já consome álcool. Ainda assim, esse padrão não deve ser interpretado como isento de risco;

Diário: mesmo dentro de limites considerados moderados, o consumo frequente pode ter efeito cumulativo e transformar-se em hábito nocivo. Nesse momento, deve-se ponderar a busca de ajuda psicológica;

Abusivo: ingestão de 4 doses para mulheres (cerca de 56 g de álcool) ou 5 doses para homens (cerca de 70 g de álcool) em cerca de 2 horas, aumentando o risco imediato de intoxicação, o prejuízo do julgamento e os comportamentos de risco. Mesmo em situações esporádicas, a autoconscientização sobre a cessação do consumo e seus riscos é preponderante;

Pesado: consumo de 8 ou mais doses semanais para mulheres (cerca de 112 g de álcool) e 15 ou mais para homens (cerca de 210 g de álcool), associado a episódios que causam danos físicos, mentais e sociais, necessitando de suporte psicossocial;

Transtorno por uso de álcool: caracterizado por perda de controle sobre o consumo, uso compulsivo, aumento da tolerância, dependência física e sintomas de abstinência quando a ingestão é interrompida. Nesse estágio, há, obrigatoriamente, necessidade de intervenção e tratamento médico especializado.

* dose: equivalente a cerca de 14 g de álcool puro, cerca da quantidade presente em 1 lata de cerveja (350 ml, ~5%), 1 taça de vinho (150 ml, ~12%) ou 1 dose de destilado (45 ml, ~40%).

Tags: bebida alcoólicaBebida alcoólica e saúderiscos do álcool
Renato Karakhanian

Renato Karakhanian

Renato Karakhanian Ribeiro é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS). É especialista em Clínica Médica e Coordenador Médico no Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO) (@hospitalnipobrasileiro). Tem um grande amor pela sua família e paixão pelo seu trabalho e esportes. Em AnaMaria, escreve sobre saúde e bem-estar.

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