As férias escolares costumam ser sinônimo de viagens, passeios, visitas a familiares e dias diferentes da rotina. Mas, para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tantas mudanças em pouco tempo podem representar um desafio.
Ambientes cheios, barulho, luzes intensas, novos lugares e alterações na programação podem provocar desconforto e aumentar a ansiedade. Por isso, especialistas orientam que o planejamento seja parte importante das férias, ajudando a tornar as experiências mais previsíveis e respeitando as necessidades de cada criança.
Segundo Bárbara Calmeto, neuropsicóloga e diretora do Autonomia Instituto, a preparação deve começar antes mesmo do passeio. “É importante contextualizar previamente os ambientes que a criança irá frequentar, explicando como será a rotina, quais estímulos ela poderá encontrar e quais estratégias poderá utilizar caso se sinta desconfortável. Essa familiarização ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta a sensação de segurança”, explica.
Mudar a rotina exige preparação
Embora as férias sejam um período de descanso, isso não significa que toda a estrutura da rotina precise desaparecer. Para muitas crianças com TEA, saber o que vai acontecer ao longo do dia contribui para diminuir a insegurança diante de situações novas.
“A previsibilidade continua sendo uma grande aliada. Mesmo durante um período de descanso, é possível preparar a criança para o que irá acontecer, respeitando sempre seus limites e necessidades sensoriais”, acrescenta Bárbara. Confira algumas estratégias que podem ajudar.
1. Explique os passeios com antecedência
Sempre que possível, converse sobre os programas antes que eles aconteçam. Mostrar fotos, vídeos ou imagens do destino pode ajudar a criança a conhecer o ambiente previamente e diminuir o impacto das novidades. Também vale explicar quem estará presente, quanto tempo o passeio deve durar e quais atividades estão previstas.
2. Respeite o tempo da criança
Nem toda programação precisa ser cumprida. Durante as férias, é comum surgirem convites para festas, encontros familiares e passeios, mas isso não significa que a criança precise participar de todos. Respeitar os limites individuais ajuda a evitar situações de sobrecarga e torna a experiência mais agradável para toda a família.
3. Inclua momentos de pausa no roteiro
Passeios longos ou ambientes muito movimentados podem exigir intervalos. Sempre que possível, identifique locais tranquilos onde a criança possa descansar por alguns minutos caso demonstre sinais de desconforto. Uma sala mais silenciosa, um espaço ao ar livre ou até o próprio carro podem funcionar como locais de descanso temporário.
4. Conheça os estímulos que causam desconforto
Cada criança com TEA apresenta características e sensibilidades diferentes. Enquanto algumas se incomodam mais com sons altos, outras podem reagir à iluminação intensa, ao excesso de pessoas ou às mudanças inesperadas na rotina. Conhecer esse perfil sensorial ajuda a escolher passeios mais adequados e permite fazer adaptações quando necessário.

5. Leve objetos que tragam segurança
Itens familiares podem ajudar a criança a lidar melhor com ambientes desconhecidos. Brinquedos preferidos, livros, mantas, almofadas, fones com redução de ruído ou outros objetos que façam parte da rotina costumam transmitir sensação de segurança durante viagens e passeios. Pequenos recursos como esses podem facilitar a adaptação em momentos de maior estímulo.
O acompanhamento terapêutico também faz diferença
Além do planejamento familiar, especialistas destacam que algumas crianças podem se beneficiar de estratégias desenvolvidas em acompanhamento profissional. Entre elas estão a dessensibilização sistematizada, conduzida por psicólogos, e atividades de integração sensorial realizadas por terapeutas ocupacionais. Essas abordagens ajudam a criança a lidar gradualmente com diferentes estímulos, sempre respeitando seu ritmo e suas necessidades.
O objetivo é aproveitar as férias com mais tranquilidade
Nem sempre será possível evitar imprevistos ou situações desafiadoras, mas adaptar o planejamento à realidade da criança pode tornar esse período mais leve. Com organização, previsibilidade e respeito aos limites individuais, as férias podem ser uma oportunidade para criar boas experiências sem abrir mão do conforto e do bem-estar da criança.
Resumo:
Passeios e viagens durante as férias de julho podem representar desafios para crianças com TEA devido às mudanças de rotina e ao excesso de estímulos. Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, preparar a criança com antecedência, respeitar seus limites e planejar momentos de pausa ajudam a tornar esse período mais tranquilo para toda a família.
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