Encontrar pães macios, saborosos e com preço justo é um dos maiores desafios para quem convive com a doença celíaca. Afinal, pesquisas recentes mostram que os consumidores estão insatisfeitos com a textura, o sabor e o valor nutricional dos produtos sem glúten disponíveis no mercado. Sabendo dessa grande dificuldade, o Centro de Estudos de Nutrição em Doença Celíaca (Cenuc) da Unifesp desenvolveu uma linha de pesquisa inovadora. O grupo de nutricionistas criou dez tipos de pães integrais deliciosos que prometem transformar a rotina alimentar desse público.
Como o pão é o alimento mais demandado e consumido diariamente por 98% dos celíacos brasileiros, a equipe focou em revolucionar essa receita. A coordenadora dos estudos, professora Vanessa Capriles, explica que as novas formulações contam com fibras funcionais e possuem baixo índice glicêmico. Essa combinação inovadora melhora o funcionamento do intestino e evita picos de açúcar no sangue. Além disso, as cientistas utilizaram ingredientes altamente nutritivos como quinoa, amaranto, grão de bico, sorgo e pinhão para enriquecer os pães. Toda essa tecnologia nacional já virou alvo de dois pedidos de patente e está pronta para chegar aos supermercados em parceria com a indústria de alimentos.
O perigo do contato cruzado e o sucesso das receitas saudáveis
Para garantir a total segurança de quem possui restrições severas, a Unifesp montou um laboratório exclusivo com o apoio da Fapesp. Nesse espaço, nenhum equipamento ou utensílio tem contato com o trigo, a cevada ou o centeio. Esse rigor absoluto previne o chamado contato cruzado, que ocorre quando partículas invisíveis de glúten contaminam uma comida segura. Pequenas migalhas são capazes de causar sérios danos à saúde do intestino de uma pessoa celíaca. Portanto, a produção dessas receitas saudáveis exige um controle severo de ingredientes do início ao fim.
Adicionalmente, as cientistas estudam os efeitos clínicos desses alimentos na microbiota intestinal e nos parâmetros metabólicos dos voluntários. O Brasil ocupa orgulhosamente a segunda posição mundial em publicações sobre o tema, e a Unifesp responde por quase metade de toda a produção científica brasileira nessa área. O grupo também monitora o perfil nutricional de produtos comerciais no país, colaborando ativamente para futuras melhorias nas leis de rotulagem de alimentos. No portal da Fapesp você encontra mais detalhes sobre o financiamento de pesquisas voltadas à saúde pública e à inovação científica.

Cuidado com as fake news sobre a dieta da moda
Por fim, um novo projeto liderado pela pesquisadora Raísa Mucinhato expandiu os estudos para a América Latina. O objetivo é mapear a segurança da alimentação fora do lar, como em restaurantes, hospitais e escolas. A profissional alerta para o crescimento de informações incorretas e perigosas que circulam livremente nas redes sociais de saúde.
Muitos perfis na internet tratam a alimentação sem glúten apenas como uma tendência estética ou uma opção mais vantajosa para emagrecer. Essa banalização confunde o público, espalha notícias falsas e prejudica quem realmente sofre com a doença celíaca. Retirar o glúten do cardápio não é um capricho, mas sim uma necessidade médica. Apoiar a ciência brasileira é o melhor caminho para garantir que a inclusão e a saúde caminhem juntas na nossa mesa.
Resumo: Cientistas da Unifesp desenvolveram dez tipos de pães para revolucionar a alimentação sem glúten, enriquecendo os produtos com grãos como quinoa e amaranto. O projeto utiliza um laboratório livre de contaminação para criar receitas saudáveis e seguras para celíacos. Além disso, as pesquisadoras alertam contra notícias falsas nas redes sociais que banalizam a doença.
