Durante décadas, chegar aos 35 anos era considerado um marco que sinalizava o fim da carreira para muitos atletas de alto rendimento. Hoje, porém, esse cenário mudou. Em competições internacionais, é cada vez mais comum encontrar jogadores que ultrapassaram essa faixa etária e continuam atuando em alto nível.
Nomes como Lionel Messi, aos 38 anos, Cristiano Ronaldo, aos 41, e Weverton Pereira, aos 38, ajudam a ilustrar uma transformação que vai além dos gramados. A permanência desses profissionais em competições de elite reflete avanços na medicina, na preparação física e também uma mudança de percepção sobre o envelhecimento.
O que mudou no esporte nas últimas décadas?
Se nos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000 era comum que atletas encerrassem suas trajetórias internacionais pouco depois dos 30 anos, atualmente a realidade é diferente.
A evolução dos cuidados com a saúde teve papel fundamental nesse processo. “Graças aos progressos em medicina esportiva, monitoramento físico, recuperação muscular, nutrição personalizada e evolução dos métodos de treinamento, a carreira dos atletas profissionais tem se estendido cada vez mais, permitindo que muitos permaneçam competitivos por mais tempo”, afirma Antonio Leitão, gerente institucional do Instituto de Longevidade MAG.
Experiência passou a ser uma vantagem competitiva
Embora a capacidade física continue sendo fundamental, ela deixou de ser o único fator decisivo para o sucesso esportivo. Jogadores mais experientes costumam compensar eventuais limitações físicas com leitura de jogo, inteligência tática, capacidade de adaptação e tomada de decisão.
Em muitos casos, esses atributos tornam-se diferenciais importantes em partidas de alto nível, especialmente em torneios curtos e disputados. A presença dos veteranos mostra que desempenho e idade não seguem necessariamente a mesma curva.
Debate vai além do futebol
O fenômeno observado nos gramados também dialoga com questões presentes na sociedade. Enquanto a expectativa de vida aumenta em diversos países, milhões de pessoas ainda enfrentam preconceitos relacionados à idade no mercado de trabalho e em outras áreas da vida.
“A sociedade ainda carrega muitos preconceitos relacionados à idade. Há uma tendência a associar o envelhecimento à diminuição da capacidade, da produtividade ou da importância. Quando observamos atletas com mais de 40 anos se destacando em competições de alto nível, somos levados a questionar esses conceitos. Claro que cada um terá seu próprio desempenho físico, mas o exemplo desses profissionais ajuda a mostrar que a idade cronológica, por si só, não deve ser utilizada como medida de potencial ou competência”, completa Antonio.
O etarismo continua sendo um desafio
O preconceito baseado na idade, conhecido como etarismo, ainda afeta milhares de pessoas. Ele pode aparecer em processos seletivos, promoções profissionais, oportunidades de capacitação e até em situações cotidianas, quando se presume que alguém perdeu capacidade apenas por ter envelhecido.
Especialistas apontam que o aumento da longevidade exige uma revisão dessas percepções, já que as pessoas permanecem ativas por mais tempo e continuam contribuindo de diferentes formas para a sociedade. Nesse contexto, histórias de atletas veteranos acabam funcionando como exemplos visíveis de uma mudança que está acontecendo em várias áreas.

5 ideias sobre idade para refletir
1. Alta performance tem prazo de validade
A presença de atletas acima dos 40 anos em competições de elite mostra que desempenho elevado pode ser mantido quando existem preparo, acompanhamento e adaptação às mudanças do corpo.
2. A idade define o potencial de uma pessoa
A idade cronológica não é capaz de determinar, sozinha, competência, produtividade ou capacidade de realização.
3. Experiência vale menos do que juventude
Em muitas profissões, assim como no esporte, experiência acumulada pode representar uma vantagem importante para a tomada de decisões e resolução de problemas.
4. Envelhecer significa perder espaço
Muitos profissionais continuam influentes e produtivos ao longo da vida, contribuindo para equipes, empresas e projetos em diferentes momentos da carreira.
5. As gerações precisam competir entre si
Especialistas defendem que o desafio atual não é substituir pessoas mais velhas por mais jovens, mas promover a troca de conhecimento entre diferentes gerações.
Resumo:
A presença de atletas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Weverton em competições de alto nível após os 35 e 40 anos reflete avanços na longevidade e ajuda a questionar preconceitos relacionados à idade. Especialistas destacam que experiência, adaptação e preparo podem prolongar o desempenho e desafiar ideias tradicionais sobre envelhecimento.
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