Por Renan Pereira e Lígia Menezes
Com uma carreira consolidada na televisão, no cinema e no teatro, a atriz Regiane Alves, aos 47 anos, continua em atividade intensa. No teatro, Regiane divide a cena com Nívea Maria em Querida Mamãe, experiência que, segundo ela, tem um significado especial. “Quando soube que faria a peça ao lado da Nívea, fiquei muito feliz e até emocionada, porque ela sempre foi uma referência para mim”, diz.
Mãe de João Gabriel e Antônio, Regiane afirma que a chegada dos filhos mudou sua forma de enxergar a própria história, inclusive a relação com a mãe. Na adolescência, a convivência foi marcada por conflitos, mas a maternidade trouxe uma nova compreensão sobre os limites e possibilidades de cada pessoa. “Depois que me tornei mãe, pude perceber que nós damos o que é possível.”
Para lidar com a sobrecarga da rotina, Regiane reserva diariamente um tempo para si mesma. “Não abro mão de uma hora por dia para fazer algo por mim”, conta. Treinos, yoga, massagens e alimentação equilibrada fazem parte de seus hábitos.
Você está trabalhando, pela primeira vez, com a atriz Nívea Maria na peça “Querida mamãe”. Como está sendo esta experiência?
Está sendo muito especial. Quando soube que faria a peça ao lado da Nívea, fiquei muito feliz e até emocionada, porque ela sempre foi uma referência para mim. É uma atriz que acompanhei ao longo da vida, vendo tantos trabalhos marcantes, e que me inspirou desde a época em que eu sonhava em ser atriz. Então, dividir o palco com ela agora é uma oportunidade de troca muito rica, de aprendizado e também de admiração. Isso me deu ainda mais vontade de entregar o meu melhor em cena.
Na peça você interpreta uma mulher de meia-idade com problemas com a mãe. Como é, fora da ficção, sua relação com sua mãe?
Na adolescência foi uma relação muito difícil, como a de qualquer adolescente. Depois que me tornei mãe, pude perceber que nós damos o que é possível. Em vez de me colocar como vítima, eu resolvi reverter a situação e, assim, ser uma mãe melhor.

Com dois filhos pequenos, João Gabriel e Antônio, como você equilibra a rotina familiar com trabalho e, especialmente, como foi a reta final das gravações de Três Graças?
Um dia de cada vez, senão a ansiedade toma lugar. Não abro mão de uma hora por dia para fazer algo por mim, seja um treino, uma aula de yoga, uma massagem… Penso que, se eu estiver bem, estarei bem para eles também. O autocuidado é algo muito importante nesta sobrecarga que é a maternidade.
Você disse recentemente que um dos seus filhos (Antônio) quer ser esportista, e João Gabriel tem tendência às artes. Isto continua de pé?
Desde pequeno, no Antônio isso sempre foi muito claro. É a vida dele. Hoje ele é atleta do Sub-11 do Resende, aqui no Rio de Janeiro, muito comprometido. E é evidente a paixão que ele tem pelas suas escolhas. João Gabriel joga futebol também, mas o teatro foi algo em que ele se encontrou. Já fez duas peças e também faz cursos. Neste ano, pudemos dividir o palco na “Paixão de Cristo”: ele fazendo Jesus, aos 12 anos, e eu Maria. Foi algo emocionante.
Você possui uma carreira sólida na TV e, mesmo após um hiato, voltou com grandes papéis. O que você fez neste período de pausa? Ficou com medo de não conseguir emplacar novamente?
Eu fiz quatro filmes neste período. Parece ter sido um hiato na TV, mas estava filmando. Fiz Silvio Santos Vem Aí, disponível na Netflix; Cartas para Deus, com direção de Fernando Ceylão, ainda para sair nos cinemas; As dez Vantagens de morrer depois de você, em que faço a mãe da Giulia Be; Outra vez em 86, um filme da GloboPlay com Leandro Hassum; além da série infantil Tac Tacs. Também fiz a peça Nosso irmão, fiquei em temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ou seja, trabalhei muito e não tive esse pensamento de não emplacar. Mas sei que a televisão tem um poder maior em relação ao público e foi lindo ver a saudade que estavam de mim.
Você disse recentemente em uma entrevista que escolheu ser feliz, como estratégia de sobrevivência. Pode nos falar mais sobre isto e as dificuldades que levaram você a chegar nesta conclusão?
É sobre você não se vitimizar. As dificuldades existem, as tristezas estão lá e as alegrias também. É sobre você acolher tudo que te acontecer e transformar isso. A minha escolha é essa: ser feliz, ver o lado positivo e pensar o que posso tirar de bom disso.
Com uma rotina de novelas e teatro, quais hábitos de saúde você prioriza, como exercícios ou alimentação, para manter o equilíbrio?
Boa alimentação. Levo minhas marmitas com lanches saudáveis, faço atividade física, yoga, tento dormir pelo menos umas sete horas por noite. Também faço o acompanhamento com um um médico nutrólogo, faço uso de vitaminas e reposição, uma vez que já estou na menopausa. Evito açúcar também.
Sobre espiritualidade, pode nos falar sobre suas crenças, aprendizados e superstições?
Sou nascida e criada na igreja católica. Fiz Divaldo, o mensageiro da paz, um filme que conta a história de Divaldo Franco, e pude vivenciar situações em que percebi que não estamos sozinhos. Há algo a mais entre a terra e o céu. Brinco que a yoga é a minha religião, mas, brincadeiras à parte, sinto que a yoga é um lugar onde posso me conectar, me ouvir e meditar, e isso me traz paz. Penso que cada um deve ir em busca do que lhe traz paz, independente da sua escolha religiosa.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1522, de 22 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
