A anemia está entre os problemas de saúde mais comuns do mundo e afeta cerca de 30% da população global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da frequência, a condição ainda é cercada por informações equivocadas que podem atrasar o diagnóstico e o tratamento. No Brasil, até metade da população apresenta deficiência de ferro, principal causa da doença.
Caracterizada pela redução da hemoglobina no sangue, a anemia compromete o transporte de oxigênio para os órgãos e tecidos. Os sintomas podem incluir fadiga intensa, alterações cognitivas, problemas cardíacos e, nos casos mais graves, complicações sérias para a saúde.
Segundo o hematologista Pedro Neffá, do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, a doença exige investigação cuidadosa. “Existem diferentes causas para a anemia, desde deficiências nutricionais até doenças hereditárias, alterações da medula óssea e perdas sanguíneas importantes”, explica.
Quem tem mais risco de desenvolver anemia?
Muita gente acredita que apenas gestantes fazem parte do grupo de risco, mas isso é um mito. Além delas, outros públicos merecem atenção especial:
- Mulheres em idade fértil: podem perder ferro durante o período menstrual.
- Crianças e bebês: precisam de mais nutrientes por causa do crescimento acelerado.
- Idosos: podem apresentar dificuldades na absorção de nutrientes.
- Pacientes bariátricos: costumam necessitar de acompanhamento nutricional contínuo.
Outra informação importante é que nem toda anemia acontece por falta de ferro. A condição também pode estar relacionada à deficiência de vitamina B12, falta de ácido fólico, doenças renais, alterações da medula óssea e até condições hereditárias, como a anemia falciforme.
Quais são os sintomas da anemia?
O cansaço é um dos sinais mais conhecidos, mas está longe de ser o único. Os sintomas da anemia podem aparecer de diferentes formas e impactar a rotina.
Entre os principais sinais estão:
- Palidez da pele e das mucosas: pode indicar redução da oxigenação dos tecidos.
- Tonturas e dores de cabeça: costumam surgir quando o organismo recebe menos oxigênio.
- Queda de cabelo e unhas frágeis: podem estar relacionadas à deficiência de nutrientes.
- Falta de ar e coração acelerado: aparecem principalmente em quadros mais avançados.
O especialista também chama atenção para um sintoma pouco conhecido: a vontade de mastigar gelo ou outras substâncias sem valor nutricional, comportamento conhecido como perversão do apetite.
Feijão e beterraba ajudam a combater a anemia?
Quando o assunto é alimentação rica em ferro, o feijão merece destaque. O alimento realmente contribui para a prevenção e o tratamento da doença, embora o ferro vegetal seja absorvido com menos eficiência do que o encontrado nas carnes.

Por isso, uma estratégia simples pode fazer diferença: combinar alimentos ricos em ferro com fontes de vitamina C, como laranja, acerola e limão.
Já a beterraba carrega uma fama que não corresponde totalmente à realidade. Apesar da cor intensa, ela contém pouca quantidade de ferro. Seu consumo faz parte de uma alimentação saudável, mas não é capaz de tratar sozinha a doença.
Outro mito comum envolve os suplementos. O uso de ferro não promove emagrecimento. O que pode acontecer é uma melhora da disposição após a correção da deficiência, favorecendo a prática de atividades físicas e o bem-estar.
A prevenção da anemia passa principalmente por uma alimentação rica em ferro, vitaminas e outros nutrientes essenciais. Além disso, exames de rotina, como o hemograma, ajudam a identificar alterações precocemente. O especialista reforça que a suplementação nunca deve ser feita sem orientação médica, já que o excesso de ferro também pode trazer riscos à saúde.
Resumo: A anemia afeta cerca de 30% da população mundial e pode ter diversas causas além da deficiência de ferro. Os sintomas incluem cansaço, palidez, tonturas, queda de cabelo e falta de ar. Feijão contribui para o consumo de ferro, especialmente quando combinado com vitamina C, enquanto a beterraba não possui efeito terapêutico relevante. A prevenção depende de uma alimentação equilibrada, exames periódicos e acompanhamento médico adequado.
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