A gente cresceu ouvindo que um vinhozinho ajuda a relaxar e que aquela cerveja no primeiro encontro é o combustível oficial da desinibição. Mas parece que a regra do jogo está mudando. O Sober Sex, ou sexo sóbrio, para os íntimos, chegou chutando a porta e mostrando que a conexão de verdade não precisa de filtro, nem de ressaca no dia seguinte.
“Não é regra de igreja, nem puritanismo. O Sober Sex é a escolha de curtir a intimidade 100% lúcido. Sabe aquela ‘coragem líquida’ que a gente usa para perder a vergonha? Pois é, a proposta aqui é trocar essa muleta pela vulnerabilidade real. É dar as caras e o corpo sem anestesia”, esclarece a terapeuta tântrica Cátia Carvalho.
A especialista explica por que todo mundo está falando sobre isso nas redes sociais: “Presença é o novo luxo: em um mundo onde a gente vive no automático, estar ali, sentindo cada toque e olhando no olho sem aquela névoa do álcool, é uma experiência bizarramente intensa”.
Para quem quer entrar na trend, Cátia indica massagem como preliminar e defende que a técnica pode ser superior ao efeito do álcool. “Se você quer entrar no clima do Sober Sex sem pressão, comece por uma massagem consciente. Estar 100% presente enquanto desliza as mãos (ou recebe o toque) é um divisor de águas. Sem o álcool amortecendo os sentidos, você percebe texturas, temperaturas e arrepios que passariam batido. É o momento de mapear o corpo do outro (ou o seu) com calma, sentindo a respiração mudar. É um tipo de ‘preliminar turbo’ que relaxa o sistema nervoso de um jeito que nenhum drink consegue”, destaca.
O que dizem outros especialistas sobre a técnica
De acordo com a sexóloga Tatiana Presser, o Sober Sex funciona como uma espécie de desafio para o casal, já que eleva as sensações ao nível máximo. “O fato dos dois combinarem de estarem completamente presentes já é um afrodisíaco porque eles começam a sentir e evidenciar mais conexão emocional. Ainda, há maior percepção das sensações físicas que estão acontecendo em relação ao tato, ao cheiro e aos estímulos”.
A terapeuta ainda revela que isso tudo pode levar o casal a sentir orgasmos potencialmente muito mais intensos. “Trata-se da entrega total de corpo e alma, que retira de cena a sensação da ressaca moral porque no sobre sex é tudo feito de cara limpa e com total consentimento, sem a névoa promovida pelo álcool, por exemplo, que muitas vezes atrapalha a memória do momento ou até mesmo certas sensações durante a relação”, explica Presser.
O massagista tântrico Silvio Sargentin concorda com a sexóloga, e complementa. “A prática gera uma conexão real, mais sólida, porém com campos de defesa e algumas barreiras mais ativadas, que vão variar em ambos de maneiras diferentes. Sem o álcool, a velocidade da integração e o volume dessa solidez podem demorar um pouco mais, mas com muito menos risco de invadirem alguns espaços internos nos quais não estariam preparados ainda para adentrarem”.
O especialista pontua que a palavra chave para que a entrega e as práticas fluam em uma crescente é “segurança”. “Você deve transmitir ao outro que ambos estão entregues e que o prazer mútuo é prioridade, sendo a principal estrada pra que a confiança se solidifique. Sempre ensino aos meus alunos que se você quer ter prazer, é preciso dar prazer. Se o seu prazer for colocado à frente, em algum momento os fios vão começar a se desconectar”.
Silvio complementa dizendo que é importante que se respeite a velocidade de assimilação e de entrega do outro. “Entenda incondicionalmente a diferença entre propor e impor, assim o outro vai ter total segurança de caminhar pra frente e assimilar a comunhão entre o desejo e a permissividade de realizar”, finaliza.
