A chegada de um filho transforma profundamente a vida de qualquer mulher, mas quando essa experiência acontece em fases completamente diferentes, os desafios e aprendizados ganham novas camadas. É o caso da produtora executiva Cosendey de 29 ano anos e da psicóloga clínica Andréa Lucena, de 52, que vivem a maternidade pela primeira vez com bebê de alguns meses.
A vivência, marcada por afetos, descobertas e também por enfrentamentos sociais, tem servido como ponto de partida para reflexões sobre saúde emocional, autocuidado e os impactos da maternidade na vida profissional.
Maternidade real: entre encantamento e exaustão
Apesar da diferença de idade, Eve Cosendey e Andréa Lucena relatam sentimentos muito semelhantes. Segundo Eve, há um misto constante entre encantamento e preocupação. “A gente vive momentos de deslumbramento, mas também de muita insegurança”, afirma a produtora.
Para Andréa Lucena, a experiência reforça que a maternidade é intensa em qualquer fase da vida. “Os desafios parecem os mesmos, mas a forma como cada mulher vive isso é única, atravessada pela sua história e pelo momento em que está vivendo”, explica.
Preconceito e julgamentos ainda fazem parte da rotina
Além dos desafios naturais da maternidade, o casal também enfrenta situações de julgamento social. De acordo com Eve Cosendey, é comum que as pessoas interpretem a relação de forma equivocada. “Muitas vezes acham que a Andréa é minha mãe ou avó da nossa filha. Quando explicamos que somos casadas, existe um impacto”, relata.
Andréa Lucena acrescenta que o preconceito envolve tanto a diferença de idade quanto o fato de serem um casal homoafetivo. “Isso revela o quanto ainda precisamos avançar na compreensão sobre diferentes configurações familiares”, pontua.
Independência financeira e carreira como base de segurança
Para Andréa Lucena, um dos pilares para a maternidade saudável é a autonomia feminina. “Antes de pensar em formar uma família, é fundamental construir independência financeira”, afirma.
Ela destaca que o investimento em educação e carreira é determinante nesse processo. “Nada substitui o estudo. É ele que sustenta a autonomia e amplia as possibilidades de escolha”, diz.
Eve Cosendey reforça que a decisão de ter filhos foi planejada. “A gente priorizou nossas carreiras primeiro. Quando sentimos segurança, decidimos viver a maternidade”, conta.
Rotina e disciplina ajudam a preservar a saúde mental
Em meio à rotina intensa, a organização se torna essencial. Andréa Lucena destaca que manter horários regulares faz toda a diferença. “Ter uma rotina para acordar, se alimentar e cuidar do corpo ajuda a manter o equilíbrio emocional”, explica.
Segundo Eve Cosendey, essa disciplina foi fundamental especialmente durante a gestação e continua sendo importante no pós-parto.
Terapia como ferramenta de equilíbrio emocional
O cuidado com a saúde mental é outro ponto central na rotina das duas. Andréa Lucena, que também atua como psicóloga, defende a terapia como um recurso essencial. “A terapia ajuda a organizar pensamentos, reduzir a ansiedade e lidar melhor com as pressões do dia a dia”, afirma.
Ela também destaca que o acesso ao atendimento psicológico está mais democrático. “Muitas universidades oferecem atendimento gratuito, o que amplia o acesso da população à saúde mental”, explica.
Produtividade com mais consciência e menos pressão
A maternidade também transformou a relação das duas com o trabalho. Para Eve Cosendey, o tempo ganhou um novo valor.
“Hoje é menos sobre fazer muito e mais sobre fazer dar certo. A gente aprende a priorizar o que realmente importa”, afirma.
Andréa Lucena complementa que o planejamento foi essencial nesse processo. “Já sabíamos que o primeiro ano seria mais intenso com o bebê, então nos organizamos para manter a produção de forma mais estratégica”, explica.
Puerpério e menopausa: desafios físicos e emocionais
No caso de Andréa Lucena, a maternidade veio acompanhada de outro processo importante: a menopausa. Segundo ela, as mudanças hormonais impactam diretamente a energia e o bem-estar. “Existe um cansaço físico maior, alterações no sono e uma necessidade de desacelerar”, relata.
Esse cenário, segundo a psicóloga, reforça a importância do autoconhecimento. “É fundamental respeitar os limites do corpo e entender que cada fase exige um tipo de cuidado”, diz.
Um novo olhar sobre o tempo e o autocuidado
Entre os principais aprendizados, as duas destacam a importância de viver o presente. Para Andréa Lucena, a maternidade convida a uma mudança de perspectiva. “A gente aprende a viver um dia de cada vez, com mais consciência e menos ansiedade sobre o futuro”, afirma.
Eve Cosendey acrescenta que o autocuidado se torna indispensável. “Para cuidar de alguém, a gente precisa estar bem também”, conclui.
