Por Renan Pereira e Lígia Menezes
Após mais de duas décadas de carreira, Luiza Possi atravessa uma fase de transição que impacta não só sua música, mas sua rotina, escolhas e a forma como se posiciona publicamente. Filha de Zizi Possi, cresceu em um ambiente onde a música sempre esteve presente e construiu uma trajetória própria dentro da MPB e do pop. Agora, ao incorporar elementos do cristianismo em sua arte, passa a lidar também com críticas do público, nem sempre positivas. “Quando você compartilha algo tão íntimo publicamente, é natural que venham opiniões diferentes. Aprendi a não me prender a tudo que é dito”, comenta.
Para Luiza, o movimento faz parte de um processo maior de amadurecimento. A percepção de que a vida acontece em ciclos ajuda a relativizar as reações externas. Nem todos acompanham essas mudanças no mesmo ritmo – e isso, segundo ela, faz parte.
A relação com a mãe, Zizi Possi, segue como um ponto central na sua trajetória. Mais do que uma referência artística, ela aparece como uma presença que acompanha e compreende os movimentos da cantora. “Ter o apoio dela nesse momento foi muito importante, porque ela entende profundamente o que é viver da arte e também respeita os caminhos que a gente escolhe trilhar”, diz.
Você se converteu à fé cristã e incorporou na sua arte a música gospel. Com isso, você sofreu muito ódio na internet. Como lidou com isso?
Quando você compartilha algo tão íntimo publicamente, é natural que venham opiniões diferentes. Ao mesmo tempo, aprendi a não me prender a tudo que é dito. Hoje, estou muito segura do que estou vivendo e do que essa escolha representa pra mim. Procuro manter o foco no amor, nas conexões verdadeiras e naquilo que faz sentido dentro de mim.
Por que você acha que as pessoas criticam tanto uma escolha pessoal?
As pessoas se acostumaram a enxergar o artista de uma determinada forma e, quando algo muda, isso pode causar estranhamento. Mas a vida não é estática, a gente vive estações, amadurece, faz novas escolhas. Nem todo mundo acompanha esse movimento ao mesmo tempo, e está tudo bem.

Você lançou um álbum recentemente chamado “É só o amor”. Entre os destaques está “Estou Apaixonado”, sucesso eternizado por João Paulo & Daniel. Pode nos falar mais sobre a escolha do repertório e as motivações do projeto?
Esse projeto nasceu de um lugar muito afetivo. “É só o amor” fala sobre aquilo que permanece, que sustenta, que atravessa fases. A escolha do repertório veio muito desse desejo de revisitar canções que já carregam emoção e ressignificá-las dentro desse momento que estou vivendo. “Estou Apaixonado” é uma música que toca as pessoas há gerações, e poder trazer isso para o meu universo hoje foi muito especial.
Em um podcast, sua mãe afirmou que te apoiou em sua escolha. Pode nos falar sobre a importância da Zizi neste momento de transformação?
Minha mãe sempre foi uma grande referência para mim, não só artisticamente, mas como mulher. Ter o apoio dela nesse momento foi muito importante, porque ela entende profundamente o que é viver da arte e também respeita os caminhos que a gente escolhe trilhar.
O que, no seu íntimo, fez você realizar esta escolha. Aconteceu algo especial que motivou esse chamado?
Ao longo dos últimos anos, fui me aproximando mais da espiritualidade, buscando respostas, silêncio e entendimento. E isso foi crescendo dentro de mim de forma muito natural. Hoje, essa dimensão espiritual também se expressa na minha música, como mais uma das minhas estações.
Sobre saúde, você já afirmou que parou de consumir álcool. Como era seu consumo de álcool antes? E pode nos falar sobre os ganhos reais que tem notado? Aumento de disposição, melhora na pele?
Eu tinha um consumo social, como muita gente. Mas em um determinado momento senti que aquilo já não fazia mais sentido para mim. Quando parei, percebi mudanças muito concretas: mais disposição, mais clareza mental, melhor qualidade de sono… é um conjunto de coisas que impacta diretamente o dia a dia.
Além disso, você já relatou que a ausência do álcool trouxe mais clareza para seu casamento. Pode nos falar mais sobre isto?
Sim, porque você passa a estar mais presente de verdade. As conversas ficam mais conscientes, os momentos mais inteiros. Isso fortalece a relação, traz mais escuta, mais conexão. Foi algo muito positivo pra gente.
Você cresceu e seguiu a mesma carreira que sua mãe, Zizi Possi. Você acha que ter a mesma profissão foi bom para você? Se pudesse mudar, seguiria um caminho diferente?
Eu vejo como um privilégio. Claro que existem desafios, comparações, expectativas… mas também existe um aprendizado muito rico. A música sempre foi muito presente na minha vida, então foi um caminho natural.
Seus filhos ainda são pequenos, mas você gostaria que eles seguissem no meio artístico?
Eu quero que eles sejam felizes e encontrem o próprio caminho, seja qual for. Se isso passar pela arte, vou apoiar. Se for por outro lugar, também. O mais importante é que seja uma escolha deles.
Como é a relação de seus filhos com a avó. Pode nos contar um pouco? Se a Zizi é mais coruja, ou mais tranquila.
Minha mãe é muito presente, ela gosta de estar perto, de acompanhar o crescimento deles de verdade. Eles se divertem muito juntos.
Você tem receio de as críticas que recebe impactar a vida dos seus filhos? De eles lerem coisas maldosas sobre você na internet? Como você e seu marido lidam com isso?
Como mãe, claro que isso passa pela minha cabeça. Mas eu acredito muito na base que a gente constrói dentro de casa. Eles crescem com amor, com diálogo, com presença, e isso dá segurança. Eu e meu marido somos muito cuidadosos com o ambiente deles, com o que chega até eles, e também com a forma como a gente conversa sobre o mundo.
E sobre sua carreira, quais são seus próximos projetos?
Eu sigo vivendo essas diferentes estações que fazem parte de mim. A MPB continua presente, assim como esse momento mais conectado à espiritualidade. Tenho trabalhado em músicas novas, em projetos que refletem isso tudo e em shows também.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1520, de 8 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
