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Raiva: doença ainda existe e pode estar mais perto do que você imagina

Ninguém mais fala sobre ela, mas a doença continua circulando no Brasil e mantém uma característica que a torna particularmente grave: é uma zoonose viral com altíssima taxa de letalidade

Lígia Menezes Por Lígia Menezes
24/05/2026 - Atualizado em 29/05/2026
Em Pets
A raiva ainda existe - vacine! Foto: Magnific

A raiva ainda existe - vacine! Foto: Magnific

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Para muita gente, a raiva parece uma doença do passado. Especialmente em áreas urbanas, onde campanhas de vacinação reduziram os casos ao longo dos anos, é comum a sensação de que o problema deixou de existir. Na prática, o cenário é outro. A raiva continua circulando no Brasil e é uma doença fatal. Causada por vírus do gênero Lyssavirus, a infecção atinge o sistema nervoso central de mamíferos e não possui tratamento eficaz após o início dos sintomas.

“A raiva é uma das poucas doenças infecciosas em que a prevenção não é apenas recomendada, mas absolutamente determinante. Uma vez que o vírus atinge o sistema nervoso central, a evolução é praticamente irreversível”, explica Bianca Fenner, médica-veterinária e coordenadora de marketing da Unidade Pet da Ceva Saúde Animal.

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A transmissão

A forma mais conhecida de transmissão é a mordida de um animal infectado, já que o vírus está presente na saliva. No entanto, essa não é a única via possível. O contato da saliva com mucosas, como olhos, boca ou nariz, também pode permitir a entrada do vírus no organismo. Feridas abertas na pele representam outro ponto de risco. Em algumas situações, até arranhões podem transmitir a doença, especialmente quando há contaminação por saliva. Esse detalhe amplia o entendimento sobre a exposição. Não é necessário um ataque evidente para que a infecção aconteça.

O que o vírus faz no organismo

Diferentemente de muitas infecções, o vírus da raiva não circula pelo sangue. Ele segue um caminho mais específico, invade terminações nervosas e percorre o sistema nervoso até chegar ao cérebro. Esse trajeto explica por que o período entre a infecção e o aparecimento dos sintomas pode variar tanto. Em alguns casos, leva semanas, em outros, meses.

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Quando o sistema nervoso central é atingido, inicia-se um quadro inflamatório progressivo conhecido como encefalite viral. A partir daí, a evolução costuma ser rápida. “Os sinais clínicos refletem exatamente o trajeto do vírus no organismo. Quando eles aparecem, o sistema nervoso já está comprometido, o que explica a gravidade e a rápida evolução do quadro”, destaca Bianca.

Entre os primeiros sinais estão mudanças de comportamento, como agitação, medo ou agressividade fora do padrão. Com a progressão, podem surgir dificuldades para engolir, salivação excessiva, desorientação, perda de coordenação e, nos estágios finais, paralisia e falência respiratória.

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O novo perfil da doença no Brasil

As campanhas de vacinação reduziram significativamente os casos ligados a cães em áreas urbanas. Esse avanço, no entanto, trouxe uma mudança importante no perfil da doença. Hoje, os principais reservatórios do vírus são animais silvestres, especialmente morcegos.

A raiva ainda existe - vacine! Foto: Magnific
A raiva ainda existe – vacine! Foto: Magnific

Esse é um ponto que muitas pessoas desconhecem. Os morcegos conseguem circular em ambientes urbanos e podem entrar em residências sem serem percebidos. O contato com cães e gatos pode acontecer de forma silenciosa, o que dificulta a identificação do risco.

“O desafio atual é justamente esse, o risco continua existindo, mas não é mais tão evidente. Isso pode levar à falsa ideia de que a doença deixou de ser relevante, o que não corresponde à realidade”, explica Bianca.

Vacine!

Diante desse cenário, a vacina segue como a principal estratégia de prevenção. Ela atua estimulando o organismo a produzir anticorpos capazes de impedir que o vírus se estabeleça, mesmo em situações de exposição. Além da proteção individual, a vacinação reduz a circulação do vírus entre os animais, contribuindo para o controle da doença.

Ainda assim, a percepção reduzida de risco tem levado alguns tutores a adiar ou até deixar de vacinar seus animais, especialmente aqueles que vivem dentro de casa. “O estilo de vida do animal não elimina a possibilidade de exposição. Hoje, o risco está menos associado ao acesso à rua e mais à presença de reservatórios silvestres no ambiente”, reforça Bianca.

Outro ponto importante é que a proteção não é permanente. A imunidade depende de reforços periódicos, que devem ser feitos ao longo da vida do animal, conforme orientação veterinária.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1519, de 1 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

Tags: cachorrogatoPetsraivavacina
Lígia Menezes

Lígia Menezes

Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 5 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!

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