O WhatsApp já faz parte da rotina dos brasileiros, mas justamente essa popularidade também transformou o aplicativo em um dos principais alvos de criminosos digitais. Segundo especialistas da ESET, muitos golpes atuais dependem menos de invasões técnicas e mais de distração, pressa e excesso de confiança dos usuários.
Com mensagens cada vez mais convincentes, criminosos conseguem roubar contas, aplicar fraudes financeiras e até assumir identidades usando informações públicas do perfil. “O fator humano acaba sendo o principal ponto de vulnerabilidade”, afirma Thales Santos, Senior Sales Engineer da ESET no Brasil.
O golpe mudou: agora ele parece “normal”
Se antes os golpes vinham em mensagens claramente suspeitas, hoje as abordagens são mais sofisticadas. Promoções falsas, links enviados por conhecidos, pedidos de ajuda urgentes e mensagens que imitam bancos ou empresas conhecidas estão entre as estratégias mais comuns.
Segundo Thales, o objetivo geralmente é convencer a própria vítima a entregar códigos de acesso ou clicar em páginas falsas. “Hoje, o ataque não precisa quebrar a segurança da aplicação. Ele convence o próprio usuário a entregar o acesso ou expor informações sensíveis”, explica.
Os erros mais comuns que facilitam invasões
1. Não ativar a verificação em duas etapas
Essa é considerada uma das falhas mais perigosas. Sem essa camada extra de proteção, basta o criminoso conseguir o código enviado por SMS para assumir completamente a conta. “Muitos golpes começam com a tentativa de convencer a vítima a compartilhar esse código. Sem a verificação em duas etapas, o controle da conta pode ser perdido em poucos segundos”, alerta Thales.
2. Clicar em links recebidos por mensagem
Promoções milagrosas, brindes, cupons e falsas atualizações de cadastro continuam entre as principais armadilhas. Esses links podem direcionar para páginas que roubam dados bancários, senhas ou até instalam programas maliciosos no celular. A recomendação é desconfiar especialmente de mensagens com senso de urgência ou promessas exageradas.
3. Deixar foto e dados públicos
Muita gente mantém foto de perfil, nome completo e informações visíveis para qualquer pessoa. Isso facilita golpes de clonagem de identidade, quando criminosos criam contas falsas usando imagem e nome da vítima para pedir dinheiro a familiares e amigos.

4. Ignorar a proteção dos backups
Embora as conversas do WhatsApp tenham criptografia, os backups salvos em nuvem podem ficar vulneráveis se a conta associada não estiver protegida adequadamente. Caso alguém consiga acessar esse armazenamento, conversas e arquivos também podem ser expostos.
5. Mostrar mensagens na tela bloqueada
Pode parecer um detalhe pequeno, mas notificações exibidas na tela bloqueada podem permitir que terceiros visualizem códigos de verificação enviados por SMS. Isso facilita invasões sem nem precisar desbloquear o aparelho.
Como deixar a conta mais segura
“A maioria dos golpes não depende de tecnologia avançada, mas de decisões rápidas tomadas no dia a dia”, reforça Thales. Algumas mudanças simples já ajudam bastante:
- Ativar a verificação em duas etapas
- Limitar quem pode ver foto e informações pessoais
- Evitar clicar em links desconhecidos
- Nunca compartilhar códigos recebidos por SMS
- Revisar sessões abertas no WhatsApp Web
- Desconfiar de mensagens urgentes envolvendo dinheiro
- Usar senha ou biometria no celular
O que fazer se a conta for roubada
Se houver suspeita de invasão, a orientação é agir rapidamente. O primeiro passo é tentar recuperar a conta usando um novo código de verificação. Também é importante avisar amigos e familiares para evitar que eles caiam em pedidos falsos feitos em nome da vítima.
Outra recomendação é revisar sessões ativas do WhatsApp Web e desconectar acessos desconhecidos. “A velocidade na resposta faz diferença. Quanto antes a pessoa agir, maiores são as chances de recuperar a conta e evitar prejuízos”, conclui o especialista.
Resumo:
Golpes no WhatsApp estão cada vez mais sofisticados e exploram principalmente distrações e erros simples de configuração. Especialistas alertam que práticas como não ativar verificação em duas etapas, clicar em links suspeitos e deixar dados públicos facilitam roubos de conta e fraudes financeiras.
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Lígia Menezes
Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 5 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!
