Filtros, preenchimentos, cirurgias e rituais de skincare que prometem reverter o relógio biológico. A obsessão por parecer jovem nunca esteve tão presente, tão normalizada e, ao mesmo tempo, tão pouco questionada.
Logo após os primeiros sinais do envelhecimento, como rugas e fios brancos, muita gente sente um desconforto natural. No entanto, o psicanalista Lucas Scudeler explica que a questão vai além da aparência. “A obsessão por parecer jovem é o sintoma mais visível de uma geração que não sabe envelhecer porque nunca aprendeu a amadurecer”, afirma.
Casos como o de Margareth Serrão, que declarou se sentir mais jovem após cirurgias, mostram como o rejuvenescimento deixou de ser apenas estética e passou a envolver identidade e valor pessoal. Ou seja, o que está em jogo não é apenas o espelho, mas a forma como cada pessoa se enxerga.
Obsessão por parecer mais jovem revela mais do que vaidade
Segundo o especialista, o incômodo com a idade é natural. Entretanto, a forma como cada um lida com isso faz toda a diferença. “Quando você não construiu nada que transcenda o corpo, o corpo é tudo que você tem para oferecer, e a ideia de perdê-lo é insuportável”, explica.
Por outro lado, ele destaca que o problema não está no cuidado com a aparência, mas no excesso. “Quando o corpo vira a única fonte de valor, você não está cuidando dele, mas sim o adorando. E todo ídolo cobra um preço”, alerta.
Nesse sentido, a busca pelo rejuvenescimento pode se transformar em uma tentativa de fugir de questões internas. Consequentemente, a autoestima passa a depender exclusivamente da aparência, o que pode gerar frustração constante.

Redes sociais intensificam a busca pelo rejuvenescimento
Se antes a vaidade era algo mais íntimo, hoje ela ganhou palco. As redes sociais criaram uma vitrine permanente, onde a imagem é avaliada o tempo todo. Assim, a pressão por manter uma aparência jovem se intensifica.
Para Scudeler, isso tem impacto direto no comportamento. “As redes sociais não inventaram a vaidade. Inventaram a obrigação de manter um personagem”, afirma. Segundo ele, esse cenário leva muitas pessoas a sustentarem versões irreais de si mesmas.
Essa exposição constante reforça a ideia de que envelhecer é negativo. Por isso, o rejuvenescimento passa a ser visto quase como uma necessidade — e não mais como uma escolha.
Juventude vai além da aparência
Apesar da pressão estética, o especialista propõe uma reflexão importante. “Se você precisa parecer jovem para se sentir valiosa, o problema nunca foi a idade. Foi nunca ter descoberto o que em você é atemporal”, conclui.
A verdadeira juventude está mais ligada à forma de viver do que à aparência. Ou seja, manter a curiosidade, o desejo de aprender e a abertura para mudanças pode ser mais importante do que qualquer procedimento.
Portanto, envelhecer com dignidade se torna um ato de resistência. Em uma sociedade que valoriza o novo o tempo todo, aceitar o passar do tempo pode ser, inclusive, libertador.
Resumo: A obsessão por parecer jovem reflete questões emocionais e sociais mais profundas. Impulsionada pelas redes sociais, essa busca pode afetar a autoestima. Especialista defende que a verdadeira juventude vai além da aparência e está na forma de viver.
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