sábado,13 junho , 2026
Revista Ana Maria
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas
Revista Ana Maria
Sem resultado
Veja todos os resultados

Como ensinar que feriados não são só folga? Um pouco de história, cidadania e identidade às crianças

Priscila Correia Por Priscila Correia
19/04/2026
Em Coluna Aventuras Maternas
Share on FacebookShare on TwitterEnviarEnviar

Os feriados fazem parte do calendário anual e é sempre muito aguardado quando caem em dias de semana. Afinal, quem não quer um dia de folga, seja no trabalho ou na escola? Entretanto, por trás de cada data há histórias, personagens e acontecimentos que ajudaram a moldar a sociedade em que vivemos. E para as crianças, especificamente, compreender esse contexto pode ser uma oportunidade enorme de aprendizado.

Ana Claudia Santos, mãe das gêmeas Luiza e Helena, de 8 anos, conta que sempre explica para as meninas o porquê dos feriados, mesmo quando caem no final de semana ou no período de férias. “Quando esses momentos são apresentados apenas como dias de folga, perdemos a chance de despertar a curiosidade e o senso crítico desde cedo. Explicar o significado de cada feriado, usando uma linguagem que entendam, permite que comecem a construir referências sobre identidade cultural, cidadania e memória, que são fundamentais para a formação de indivíduos mais conscientes”, avalia.

PROPAGANDA

Para Priscilla Lauro, pedagoga e diretora do Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte, e Creche Nosso Abrigo, não se trata apenas de ensinar o que aconteceu, mas de ajudar essa criança a compreender por que aquilo tudo importa. “Por que é feriado? Feriado é decorrente de algum motivo. Que história é essa? A criança precisa começar a perceber a sociedade, entendendo que tudo o que acontece aqui é resultado de um processo histórico, que as decisões humanas trazem uma transformação ao longo do tempo. E isso, com a criança, favorece uma aprendizagem mais significativa, mais duradoura, colocando-a para ser crítica, em oposição a ações em que ela vai apenas memorizar. Com isso, ela desenvolve mais as noções de pertencimento à cultura e da sua identidade social. Ela também faz parte dessa história coletiva, ela contribui diretamente para esse processo”.

Datas comemorativas, sejam nacionais e internacionais, carregam um passado de lutas e conquistas. E ao explicar para as crianças sobre o assunto, pais e educadores vão ajudar a transformar o calendário em uma ferramenta educativa, conectando o passado e o presente de maneira lúdica e significativa nessa fase infantil. E na matéria de hoje, aproveitando como gancho os feriados que acontecem nas próximas semanas, especialistas em educação explicam como abordar esses temas no dia a dia e por que essa prática pode fazer diferença no desenvolvimento das novas gerações.

PROPAGANDA

Diversão, mas com aprendizado

Ao planejar como serão os feriados, as famílias e as escolas podem ajudar a construir uma compreensão mais ampla sobre a história e a cultura por trás dessas datas. Seja por meio de atividades lúdicas, histórias ou vivências, é possível despertar a curiosidade dos pequenos e reforçar o papel educativo desses momentos, mostrando que se divertir e aprender não são caminhos opostos, mas complementares.

PROPAGANDA

Para Marina Tiso, que é psicopedagoga da Camino School, embora os dias comemorativos e os feriados façam parte do calendário escolar e social, seu potencial educativo nem sempre é explorado de forma significativa. “Muitas vezes, essas datas são tratadas apenas como momentos de celebração, folga ou atividades pontuais, como cantar músicas temáticas ou vestir fantasias, o que pode esvaziar seu significado real, com práticas repetitivas e, muitas vezes, superficiais. (…) De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a escola tem o papel de promover aprendizagens que ajudem as crianças a compreender a si mesmas, o outro e o mundo, valorizando a diversidade cultural e desenvolvendo o pensamento crítico. Nesse sentido, os feriados devem ser planejados dentro do currículo pedagógico, de forma intencional, tornando-se oportunidades reais de aprendizagem e não eventos isolados”, avalia.

É importante, também, traduzir os acontecimentos sem distorcer os fatos, mas adequando à faixa etária. “A criança pequena entende melhor por meio de histórias, de forma lúdica, usando exemplos que ela conhece e de forma simplificada. Já as maiores lidam melhor com causa e consequência, ou seja, explicando o que e quando aconteceu e o que gerou. Dessa forma há o entendimento do lado histórico, mas também do que gerou para a atualidade”, esclarece Priscilla.

Além da escola, que contribui ao contextualizar historicamente as datas, promovendo reflexões e conexões com o currículo, a participação das famílias é essencial nesse processo. “É no contexto familiar que muitas práticas culturais ganham vida, por meio de histórias, tradições, memórias e experiências compartilhadas. Quando as famílias conversam com as crianças sobre o significado das datas, relacionam os feriados com sua própria história e valorizam diferentes culturas, contribuem para ampliar e aprofundar as aprendizagens iniciadas na escola. E ao elaborar essas datas unindo o que a escola e a família ensinam, as crianças conseguem estabelecer relações entre passado e presente, compreender diferentes realidades e atribuir sentido ao que vivenciam”, pontua Marina.

Mas quais estratégias práticas as famílias podem incluir no dia a dia para que as crianças compreendam melhor essas datas? Para Priscilla, algumas atividades e ações simples podem ser eficazes e ajudar. Abaixo, ela sugere algumas:

– Conversas no cotidiano: aproveitar o feriado para perguntar: “Você sabe por que hoje não é um dia comum? Por que hoje é feriado?”;

– Uso de histórias e filmes: trazer narrativas sobre o que aconteceu, conectando emocionalmente com o tema e com a vida atual;

– Conexões com a realidade: por exemplo, no Dia do Trabalho, conversar sobre as profissões da família e o que cada pessoa faz;

– Atividades práticas: desenhos, dramatizações, pesquisas guiadas;

– Dar espaço para perguntas: é importante demais deixar a criança perguntar. Não tem problema não saber, a gente busca a resposta junto com ela.

 

Por dentro do feriado

Mais do que decorar datas, entender o porquê de cada feriado contribui para que a criança desenvolva empatia, respeito e pertencimento.

Para Priscilla, os feriados que devem ser explicados didaticamente para as crianças são Independência do Brasil, Proclamação da República, Consciência Negra, Dia do Trabalho e Tiradentes. “Essas datas, quando a gente traz para a temática, são temas que propõem organização social, direitos, identidade e liberdade. Então, acredito que esses feriados precisam, sim, ser abordados e trabalhados com as crianças”, avalia.

E Marina vai além, explicando as cinco datas que considera mais importantes do calendário anual. “Em 19 de abril é comemorado o Dia dos Povos Indígenas, que vai proporcionar reconhecer a diversidade dos povos indígenas, seus modos de vida e sua importância na formação do Brasil, além de discutir respeito, direitos e superação de estereótipos. Dia 21 de abril, Tiradentes, é a data que celebra uma figura importante da Inconfidência Mineira e pode ser trabalhada como introdução a temas como liberdade, participação política, movimentos históricos e como a ideia de um herói pode ser construída. Dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, relaciona-se às lutas por direitos trabalhistas e possibilita discutir o valor do trabalho, as diferentes profissões e a importância dos direitos sociais. Já no 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, é uma data que marca o processo de independência do Brasil em relação a Portugal. É uma oportunidade para discutir o que significa um país ser independente e como esse processo impacta a sociedade até hoje. E, por fim, mas igualmente importante, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A data homenageia Zumbi dos Palmares e promove reflexões sobre a história da população negra no Brasil, incluindo a escravidão, a resistência e a luta por direitos, além de valorizar a cultura afro-brasileira”.

Direto ao Ponto

A seguir, Priscilla Lauro e Marina Tiso falam um pouco mais sobre a importância dos pequenos entenderem sobre o motivo de cada feriado.

Aventuras Maternas – Como os pais e educadores podem abordar temas mais complexos, como independência, conflitos ou mudanças sociais, de forma acessível e adequada para diferentes faixas etárias?

Marina Tiso – A abordagem de temas complexos deve respeitar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, partindo do concreto para o abstrato e do cotidiano para contextos mais amplos, como orienta a BNCC. Tanto a escola quanto a família atuam como mediadores desse processo. Na Educação Infantil, o foco deve estar na vivência e na construção de sentidos por meio de experiências concretas. Histórias, brincadeiras, músicas e situações do cotidiano ajudam a introduzir temas como convivência, respeito e diferenças, sem a necessidade de explicações abstratas. No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, é possível começar a estabelecer relações simples entre passado e presente. Narrativas, imagens e comparações com a vida cotidiana ajudam as crianças a compreender mudanças ao longo do tempo. No Ensino Fundamental – Anos Finais, as crianças já conseguem lidar com explicações mais estruturadas e múltiplas perspectivas. É possível aprofundar temas como conflitos, desigualdades e transformações sociais, promovendo debates e conexões com a atualidade. No Ensino Médio, a abordagem pode ser mais analítica, incluindo discussões sobre contextos históricos mais amplos, relações de poder e diferentes interpretações, incentivando a construção de posicionamentos próprios.

Aventuras Maternas – De que maneira o entendimento sobre os feriados pode contribuir para o desenvolvimento do senso crítico, da identidade cultural e da cidadania das crianças?

Priscilla Lauro – Simples: a criança é a maior perguntadora de “por quê”. Então, quando ela pergunta por quê, ela quer entender. Quando ela está entendendo o porquê das coisas, ela desenvolve pensamento crítico. Ela compara, questiona, interpreta. Não podemos deixar isso morrer nas crianças. Isso traz o quê? Um fortalecimento da identidade cultural. Ela entende de onde vem, entende a cultura do país onde está. Ela aprende algo muito importante: que os direitos são conquistados, não são dados. Isso é essencial para a criança começar a construir uma consciência cidadã. Não é porque eu quero, tudo tem um processo. Crianças tendem a entender a história quando participam mais ativamente da sociedade no futuro. Por quê? Porque estamos construindo repertório. Sem repertório elas apenas reproduzem informações. E, quando só reproduzem, não se posicionam. É muito importante fazer esse trabalho com a criança, porque ela precisa de repertório, precisa saber onde está, precisa se colocar, se questionar e entender a sociedade em que vive. Promover o senso crítico, de curiosidade, de busca é essencial para formar cidadãos críticos e que de fato vão transformar a sociedade. Eu acredito muito nesse poder da educação.

 

Priscila Correia

Priscila Correia

Priscila Correia (@aventurasmaternas) é jornalista, casada e mãe de 2 meninos, Theo e Benjamin. Autora de livros infantis, adora viajar e escrever sobre educação e saúde. Tem diagnóstico de Superdotação, assim como seus dois filhos, e gosta de falar sobre o assunto. É colunista da AnaMaria Digital, onde compartilha matérias sobre maternidade, infância e adolescência.

CompartilharTweetEnviarCompartilhar

GRUPO PERFIL – Argentina, Brasil, Uruguai, Chile, Estados Unidos, Portugal e Índia

AnaMaria |  AnaMaria Receitas | Aventuras na História | CARAS | CineBuzz | Contigo | Máxima | Perfil Brasil | Recreio | SportBuzz | RSVP

Rede de sites parceiros:

Bons Fluidos | Holywood Forever TV  | Mais Novela | Manequim | Rolling Stone Brasil | Viva Saúde | FFW

PERFIL Brasil Av. Eusébio Matoso, 1.375 10º andar – CEP: 05423-905 | São Paulo, SP

Anuncie no Grupo Perfil +55 (11) 2197-2000 ou [email protected]

Clique aqui e conheça nosso Mídia Kit

Política de privacidade

Categorias

  • AnaMaria Testa
  • Astrologia
  • Atualidades
  • Beleza
  • Bem-estar e Saúde
  • Carreira
  • Casa
  • Comportamento
  • Dieta e Emagrecimento
  • Dinheiro
  • Diversos
  • DIY
  • Educação
  • Famosos
  • Maternidade
  • Moda
  • Programação da TV
  • Relacionamento
  • Tecnologia

Direitos Autorais Grupo Perfil. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Perfil.com Ltda.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Astrologia
  • Bem-estar
  • Beleza
  • na TV
  • Comportamento
  • Carreira
  • Dinheiro
  • Últimas Notícias
  • Receitas
  • Colunas